10 de julho de 2026
DOCUMENTO OVALE

Na capital da Ucrânia, professor de São José conhece praça com tanques e armas russas

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação / Victor França
Praça em Kiev traz tanques e armamentos russos destruídos na guerra

Chegando à capital da Ucrânia, o professor Victor França, de São José, não conseguiu ver o parlamento e nem a sede do Poder Executivo, que é um lugar cheio de barricadas de areia, guaritas, tanques e militares armados até os dentes, além de drones fazendo a segurança na região.

O professor viu lugares bombardeados e uma cidade próxima que teve uma invasão terrestre dos russos. Os moradores contaram que os soldados russos entraram nas casas e rasgaram sofás, tiraram televisões e atiraram coisas pela janela, roubaram outros objetos. “Então é essa narrativa”, disse ele.

Um dos maiores símbolos da guerra está numa praça de Kiev, na qual o governo deixa tanques e armas pesadas destruídas dos russos nas zonas de conflito. É como um imenso memorial a céu aberto da guerra.

“É como se fosse um troféu de guerra, então a praça grande é cheia de carros e, sobretudo, de tanques e demais armas de guerra dos russos.”

“São armas de guerra que remontam aos tempos da União Soviética, então eles colocam lá e a população tira foto e escreve muitas coisas nesses tanques. Tipo ‘maldito Putin’, ‘os russos vão arder no inferno’, frases nesse sentido. Alguns encolerizados arrancam pedaços dos tanques.”

ÓDIO

Lá também a praça divide opiniões. “Alguns perderam entes queridos na guerra. Alguns acham que aquilo é desumano e que só aumenta a angústia, só aumenta o ódio e tudo mais, tem até essa discussão lá”.

França constatou que a guerra já faz parte da normalidade dos ucranianos. Ele gravou vídeos do quarto do hotel quando a sirene de alerta tocava, mas com a vida seguindo normalmente nas ruas e avenidas de Kiev, como se o conflito não estivesse ocorrendo.

Mas ele também encontrou pessoas que, no começo da guerra, dormiram nas estações de Metrô por questão de precaução e insegurança de ficar em casa.

“Caíam mísseis em zonas de fornecimento de energia e a luz elétrica virou luxo e tudo começou a ser movido a gerador de energia portátil. E aí quando tocava a sirene, todo mundo corria rapidamente para as estações de Metrô. Hoje não está mais assim.”

Segundo França, os ucranianos têm um aplicativo no celular que manda uma mensagem orientando para ir para a estação de Metrô em caso de ataque.

O conflito impõe aos ucranianos um toque de recolher entre meia-noite e 5 horas da manhã, diariamente. Tudo fecha nesse período. Quem não cumpre o protocolo pode ser multado.

“A população está meio que cansada com isso e uma associação de bares e restaurantes está pedindo para o parlamento aprovar um projeto para que seja estendida pelo menos mais uma hora, porque isso faz uma diferença grande.”

Conversando com moradores da capital, França percebeu que eles ainda não acreditam que a guerra está acontecendo. Há uma dificuldade de aceitar a realidade, “que parece uma imbecilidade, essas coisas de guerra”.