Única região do estado com violência endêmica e a primeira do interior a já ultrapassar 200 mortes neste primeiro ano da gestão Tarcísio de Freitas, a RMVale concentra 7 das 16 cidades mais violentas de São Paulo e se consolida como a 'pedra no sapato' do governo na área da segurança pública.
Diante do quadro, os municípios do Vale cobram a implantação do cinturão eletrônico de câmeras, projeto previsto para janeiro de 2021, ainda no governo João Doria (PSDB), e que até agora não saiu do papel.
A gestão Tarcísio promete tirar a promessa do papel -- o Vale será a primeira região a ser monitorado pela Muralha Paulista. O vice-governador Felicio Ramuth (PSD) declarou a OVALE que a licitação para a instalação de 109 câmeras de monitoramento seria publicada pela Agemvale (Agência Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte) nesta sexta-feira (29), com a abertura dos envelopes em 16 de outubro.
Os equipamentos serão instalados em cidades do Vale Histórico e do Vale da Fé, sub-região da RMVale que abriga as cidades mais violentas do estado.
"A implantação será principalmente para o Vale Histórico e Vale da Fé, que são as regiões onde temos os maiores índices de violência", disse Felicio (leia mais nesta página).
Das seis cidades do Vale que lideram o ranking paulista da taxa de homicídios, três estão na sub-região que receberá as câmeras. A RMVale é a região mais violenta do estado de São Paulo desde 2010.
MUNICÍPIOS
A cidade mais violenta do estado é Cruzeiro, com 38,60 vítimas de homicídio por 100 mil habitantes, seguida de Lorena (34,62) e com Guaratinguetá (19) na quarta colocação.
Caraguatatuba (26,75) está na 3ª posição e Ubatuba (17,24) e Caçapava (16,71) na 5ª e 6ª. Taubaté está na 16ª, com 11,22 vítimas por 100 mil.
A lista compara o número de vítimas de homicídios nas 100 maiores cidades paulistas nos últimos 12 meses.
Com sete das 16 cidades mais violentas, a RMVale tem 13,82 vítimas de homicídio por 100 mil e segue com a maior taxa de São Paulo desde 2010.
A boa notícia é que, em 2023, a região teve queda de 15,8% nos homicídios, com 218 vítimas contra 259 em 2022.
A queda faz parte do compromisso do governo Tarcísio em reduzir a violência no Vale, promessa também já feita por gestões estaduais anteriores.
Considerando as principais regiões do interior paulista, o Vale foi a que menos reduziu as vítimas de homicídio na comparação com o início dos anos 2000, quando o estado registrou 13.133 mortes em um ano (2001) – queda de 78% para as 2.847 vítimas dos últimos 12 meses.
A Baixada Santista foi quem mais diminuiu as mortes, com queda de 82%, seguida da região de Campinas (-74%), Sorocaba (-61%) Ribeirão Preto (-46%), Araçatuba (-47%) e somente depois o Vale, com -40% -- 542 vítimas para 327.