11 de julho de 2026
TRAGÉDIA

‘Não tenho nada de bom para lembrar nesta data’, diz mãe de Ana Lívia, morta no Vale

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Jéssica e Ana Livia

Trezentos e sessenta e cinco dias de distância para a tragédia.

Neste dia 27 de setembro, a diarista Jéssica Higino, 31 anos, tem um encontro com a saudade mais devastadora que sente na vida: a perda da filha Ana Lívia.

A estudante de 13 anos foi morta com um tiro na nuca, em Taubaté, há exatamente um ano. O crime chocou a região.

O caso aconteceu em 27 de setembro do ano passado, no bairro Jardim Paulista, em Taubaté, antes de Ana Lívia e uma colega de 12 anos irem para a escola. As duas meninas eram melhores amigas.

Pela manhã, Lívia ligou para a mãe perguntando se a amiga podia ir até sua casa para que as duas pudessem ir para a escola juntas, de carona com a mãe de outra colega. Horas depois, a mãe de Ana Lívia encontrou a menina já sem vida, em seu quarto.

Lívia foi encontrada com um tiro na nuca, com o corpo caído em cima de uma mesa de cabeceira.

CONFISSÃO

De acordo com a polícia, a menina de 12 anos confessou ter atirado em Ana Lívia com uma arma de fogo que pertence ao tio, que trabalha como agente penitenciário e recebeu uma multa de R$ 2.500 por ser dono da arma usada no crime.

“Isso dói na alma, mesmo que a gente continue vivendo, nada é como antes, falta algo, ou melhor, falta alguém”, disse Jéssica sobre a saudade da filha.

Sobre o macabro aniversário, Jéssica disse que só quer passar pela data sem ter que reviver a imensa dor sentida há um ano.

“Não tenho nada de bom para lembrar nesta data. Não há nada para comemorar e nada para ser feito. A saudade fica e vou tocando a vida, porque tenho um garoto para criar”, disse ela, que também faz aniversário em setembro. "É um mês cheio de emoções, infelizmente não muito boas".

FUNDAÇÃO CASA

A garota de 12 anos que confessou ter matado Ana Lívia segue internada numa unidade da Fundação Casa em São Paulo.

A menina passa por avaliações psicológicas a cada seis meses e o resultado é encaminhado ao Poder Judiciário, que avalia a evolução dela dentro da unidade de custódia do governo estadual.

Após ter confessado o crime, a menina foi julgada pela Vara da Infância e Juventude de Taubaté, em audiência no dia 7 de novembro de 2022, e sentenciada a permanecer na Fundação Casa e passar por avaliações psicológicas regulares.

Tais avaliações são feitas por equipes da Fundação Casa e os resultados são enviados para a Vara da Infância e Juventude de Taubaté, que analisa a situação da garota. Não se sabe quando ela poderá deixar a unidade na capital.

VIDA QUE SEGUE

Por sua vez, Jéssica Higino toca a vida ao lado do filho de um ano e quatro meses. Ela também engatou um novo relacionamento amoroso, sentimento que lhe traz alento diante da saudade da filha.

Ela prefere manter o romance em segredo e disse que se trata de um namoro, que por enquanto decidiu não revelar detalhes.

“É um namoro e isso faz parte da vida, mas está meio em off ainda. Não vamos nos revelar [nas redes sociais]”, disse Jéssica, que se surpreende com a quantidade de seguidores que tem na internet (mais de 9.000). “Tem muita gente que eu nem conheço que comenta na minha página”.

Uma única publicação dela em homenagem à filha Ana Livia atingiu mais de 20 mil visualizações.

Após passar pelo seu próprio aniversário, também em setembro, Jéssica faz do amor a garantia de que a vida vale a pena, ainda que com uma estrelinha a menos em sua constelação.