11 de julho de 2026
TRAGÉDIA

Apaixonada pelo mar, Mari sonhava se casar com namorado; ele teria matado ela e o filho

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Mariana Ramires era de São José dos Campos

Dizem que amor e ódio são dois lados da mesma moeda.

Aos 34 anos, a massoterapeuta Mariana Ramires do Nascimento, que era de São José dos Campos, comprovou o dito popular da pior maneira: de acordo com a investigação da polícia, ela foi assassinada pelo companheiro com quem sonhava se casar na praia.

Detalhe: em maio, ela escreveu um poema prevendo se casar em setembro, mas foi morta a facadas pelo companheiro no dia 16 do mês em que sonhava selar os laços matrimoniais.

No sábado (16), Mariana e o filho Giordano Ramires, 8 anos, foram encontrados mortos dentro da casa da família, na região da praia de Juquehy, em São Sebastião. Ambos tinham ferimentos no pescoço, causados por faca.

O principal suspeito do crime é o companheiro de Mariana e pai de Giordano, Anderson Paro Soares Monteiro, 55 anos, que foi encontrado do lado de fora da residência, com ferimentos de faca no pescoço.

Segundo a Polícia Civil, ele teria tentado se matar após o crime. Monteiro foi preso em flagrante por duplo homicídio e teve a prisão preventiva decretada pela Justiça.

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POEMAS

Com dezenas de poemas postados em seu perfil no Facebook, Mariana fez a última postagem em 13 de setembro, às 14h30, três dias antes da tragédia.

Escrito em maio, no “mês das mamães”, como ela citou, o poema começa dizendo que setembro iria trazer boas notícias para ela e o companheiro.

“Setembro tá chegando e com ele boas novas irão de vir / Quem sabe esse nosso laço não seja selado na lei dos homens também / Porque sei que na do Pai já somos eternizados / Mas eu tenho esse sonho e nunca te contei”, escreveu ela.

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Na sequência, ela deixa explícita a ideia de se casar com Monteiro em São Sebastião, na praia, local pelo qual era apaixonada.

Mariana tinha dezenas de fotos tiradas na praia de Juquehy. Ela também fazia fotos do filho, que sonhava em ser modelo. Os sonhos de ambos foram afogados pela violência.

“Pois bem / Mas uma confissão / Quero me casar com você na praia / Te digo como um selo de segredo / Somos ‘segregados’ / Eternos amantes”, escreveu a massoterapeuta.

CORAGEM

Ela cita ainda que seria preciso “coragem” para confirmar o matrimônio e admite que tal virtude não faltasse entre ela e o companheiro.

“Loucos somos nós que continuamos... pela eternidade / Deixa vir como diz nosso amigo...o Duque / Somos uns puta corajosos / E haja coragem / Yahhhhhh Héeeeee / Assim é / Feito está!!!”, concluiu a mulher.

No final, a assinatura com a qual a massoterapeuta assinava seus poemas: “A Mar de Mariana”, em alusão ao mar e ao amor, dois temas presentes em seus escritos.

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VIOLÊNCIA

O casamento de Mariana transformou-se na violência mais cruel que uma enamorada pode suportar. Morrer pelas mãos de quem um dia sonhou se casar.

Relatos de conhecidos disseram que Mariana e Monteiro não vinham se dando bem nos últimos tempos, o que vinha refletindo em seus poemas mais recentes.

Ainda segundo essas testemunhas, no final, ela desejava se separar do companheiro, que não teria aceitado a decisão da mulher, o que teria sido o principal motivo do crime.

O sonho de Mariana de se casar sucumbiu ao relacionamento tóxico com seu companheiro. A morte é a linha final desse trágico poema da vida real.