10 de julho de 2026
HOSPITAL

Após apelo de Saud a prefeitos, AMVale pede que governo estadual reassuma gestão do HMUT

Por Julio Codazzi | Taubaté
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação/PMT
HMUT voltou a ser gerido pelo município em 2019

Após pedido do prefeito de Taubaté, José Saud (MDB), a AMVale (Associação de Municípios do Vale do Paraíba e Litoral Norte) encaminhou nessa quinta-feira (31) ao governo estadual um ofício em que solicita a realização de estudos para verificar a viabilidade da transferência para o estado da gestão do HMUT (Hospital Municipal Universitário de Taubaté).

No ofício, o presidente da AMVale, Thales Gabriel (PSD), que é prefeito de Cruzeiro, cita que o HMUT "tem grande relevância" para o Vale do Paraíba e Litoral Norte, "pois atende a centenas de munícipes diariamente", e que por ter perfil "regional", a "estadualização se mostra uma solução viável".

O presidente da AMVale alega ainda que a medida "permitiria uma integração eficaz com o Hospital Regional de Taubaté, já sob a eficiente gestão do governo estadual, promovendo um serviço em saúde pública mais eficiente".

APELO.
Nessa semana, Saud havia enviado aos prefeitos dos outros 38 municípios da região um ofício para pedir apoio à defesa da estadualização do HMUT.

No documento, Saud pede que os prefeitos enviem ofícios ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) para defender que o estado reassuma a gestão do hospital, “para que a população da região continue a contar com essa importante unidade de saúde, com plena capacidade de atendimento”.

No texto o prefeito de Taubaté alega que o HMUT atende a região, sendo “mais condizente e coerente que o estado assuma essa responsabilidade”.

MUNICIPALIZAÇÃO.
O hospital foi administrado de 1982 a 2013 pela Unitau (Universidade de Taubaté), que é uma autarquia municipal. Em março de 2013, com dívidas milionárias e problemas estruturais, a unidade teve a gestão transferida para o governo estadual - esse processo foi iniciado pelo ex-prefeito Roberto Peixoto e concluído pelo ex-prefeito Ortiz Junior (PSDB). Em 2019 o tucano fez o movimento inverso e retomou, em maio daquele ano, a gestão do hospital - que foi terceirizada à SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina).

Em março de 2019, quando o contrato com a SPDM foi firmado, o custo mensal era de R$ 6,5 milhões. Agora, o valor já chegou a R$ 9 milhões. Desse total, são R$ 2 milhões do governo estadual, R$ 1,7 milhão do governo federal e R$ 5,2 milhões do município.

Após conversas nas últimas semanas, a Prefeitura informou que espera que o governo estadual amplie o repasse mensal em R$ 1,5 milhão (ou seja, para R$ 3,5 milhões) e o governo federal em R$ 1 milhão (ou seja, para R$ 2,7 milhões).

PRESSÃO.
Em março desse ano, o governo Saud afirmou à reportagem que a municipalização havia sido positiva, pois houve "o aumento significativo do número de taubateanos atendidos na unidade" e isso permitia suprir a demanda das unidades de urgência e emergência do município "para internação em menor tempo hábil possível", o que "não era possível de existir enquanto gestão estadual".

Em julho, quando o HMUT passou a atender de forma parcial, devido a atrasos nos repasses por parte da Prefeitura - a SPDM alega que a dívida está em R$ 22 milhões atualmente -, Saud modificou o discurso e passou a defender que o estado reassumisse a gestão do hospital.

No fim de julho, o vice-governador Felicio Ramuth (PSD) descartou a possibilidade de o estado retomar a administração do HMUT. A nova estratégia adotada por Saud, que ganhou o apoio da AMVale nessa quinta-feira, visa fazer uma pressão política sobre o governo Tarcísio, na expectativa de que o estado mude de ideia e aceite reassumir a gestão do hospital.