10 de julho de 2026
SOCIAL

Cidades Sustentáveis: combate à fome desafia cidades da RMVale e da região de Campinas

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 4 min
Divulgação
São Bento do Sapucaí é a cidade do Vale mais bem colocada em ranking da sustentabilidade

Com duas das cidades mais ricas do país – Campinas e São José dos Campos --, as regiões metropolitanas do Vale do Paraíba e de Campinas têm cidades com baixa pontuação no combate à fome e na erradicação da pobreza.

É o que aponta levantamento do Instituto Cidades Sustentáveis, que lançou o relatório com o IDSC (Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades) de todos os municípios do Brasil.

No geral, sete em cada 10 cidades brasileiras apresentam nível baixo ou muito baixo de desenvolvimento sustentável, indicador que inclui o enfrentamento à pobreza. Menos de 1% dos municípios atingiu alto nível de desenvolvimento. Nenhum deles muito alto.

O IDSC avalia 100 indicadores para definir o desempenho das cidades no cumprimento dos 17 objetivos de desenvolvimento sustentável estabelecidos pela ONU em 2015. Entram na lista a erradicação da pobreza e da fome, promoção de saúde, educação e saneamento e redução de desigualdades. A meta deve ser cumprida pelos países até 2030.

VALE DO PARAÍBA

Entre os 17 objetivos da ONU, 71,79% das cidades do Vale estão no nível médio e 10,26% no baixo para a erradicação da pobreza, e 43,59% estão na classificação baixa e 28,21% no nível ‘muito baixo’ para o combate à fome.

Entre as cidades com os piores resultados nos quesitos estão São José dos Campos, Taubaté, Campos do Jordão, Aparecida e Cachoeira Paulista, todas reprovadas no combate à fome, e Lagoinha, São José do Barreiro, Bananal, com nível baixo no enfrentamento da pobreza.

Na RMVale, no geral, 18% das cidades apresentam nível baixo de desenvolvimento sustentável. A maioria ficou na avaliação média (77%), com apena 5% obtendo um rendimento considerado alto. Nenhuma cidade atingiu o nível ‘muito alto’.

De acordo com o IDSC, cuja pontuação vai de 0 a 100, as cidades mais sustentáveis da região são Silveiras e São Bento do Sapucaí, com pontuação média de 61,60 e 63,12, respectivamente. A nota leva em conta os 17 objetivos da ONU.

São José dos Campos (59,01 pontos) lidera a lista das cidades de nível médio, que traz ao todo 30 municípios, entre eles Taubaté (58,86), Pindamonhangaba (55), Caraguatatuba (54,32), Jacareí (52,63) e Guaratinguetá (52,14).

Sete cidades foram consideradas de nível baixo de desenvolvimento sustentável, entre elas Cruzeiro (48,99), Cunha (48,45) e Potim (49,31).

CAMPINAS

De acordo com o Instituto Cidades Sustentáveis, a RM Campinas tem 85% das cidades com nível médio de erradicação da pobreza, entre elas Campinas, e metade no nível baixo de combate à fome, além de 15% com a avaliação de ‘muito baixo’ nesse quesito, como Pedreira, Holambra e Hortolândia.

No geral, a região metropolitana tem 80% das cidades com nível médio de desenvolvimento sustentável, como Campinas (57,69 pontos), Sumaré (51,86) e Americana (59,54), e apenas uma com avaliação baixa (Cosmópolis, com 49,52).

Outras três cidades estão na classificação alta: Pedreira (62,51), Vinhedo (61,97) e Indaiatuba (61,30). Também nenhuma cidade atingiu o nível ‘muito alto’.

Três cidades das duas regiões estão entre as 10 cidades do país com maior pontuação no IDSC, ranking liderado pelas paulistas São Caetano do Sul (63,42) e Jumirim (63,16).

Em terceiro lugar aparece São Bento do Sapucaí (63,12) e na sétima e décima colocação, respectivamente Pedreira (62,51) e Vinhedo (61,96).

No geral, das 10 cidades com melhores índices, oito estão em São Paulo. As 15 com piores índices ficam na Amazônia.

“O que aconteceu nos últimos sete anos foi um retrocesso em muitas áreas: o país voltou ao mapa da fome, aumentou o desemprego. Ao mesmo tempo, segue com uma violência muito grande, problemas na educação e saúde. Isso é refletido nos dados”, disse Jorge Abrahão, coordenador do Instituto Cidades Sustentáveis.

Sobre as últimas colocações dominadas pela região amazônica, Abrahão ressaltou a desigualdade social.

“Hoje, 75% das pessoas vivem em cidades na Amazônia sob uma terrível desigualdade social. Só vamos melhorar se tivermos mais estrutura para melhorar a vida das pessoas nas cidades. Se não melhorar a saúde, a educação, as pessoas terão uma relação com a sobrevivência maior que a com os cuidados com o meio ambiente”, afirmou.

Para a economista, professora e pesquisadora do Observatório PUC-Campinas, Eliane Rosandiski, os desafios para reduzir a desigualdade social são aumentar o emprego formal, combater a informalidade e melhorar a remuneração média, que vem com maior qualificação dos trabalhadores.

“Temos um padrão de remuneração que está diminuindo no mercado de trabalho e um crescimento do emprego informal. Isso mostra que há um grupo de pessoas que ficam numa situação de vulnerabilidade maior”, disse ela.

Com o país vivendo um momento econômico melhor, Eliane disse que é preciso que a recuperação quantitativa do emprego venha acompanhada da diminuição da informalidade e da precarização. “Sem a proteção do emprego formal, o trabalhador não tem como gerar a sua renda num caso de doença, por exemplo”.