Lideranças do PSDB e de outros partidos do Vale do Paraíba lançam nesta sexta-feira (11), em São José dos Campos, o movimento ‘Política por gente que vale’, que vai defender um “jeito regional” de fazer política, baseado, principalmente, em administrações tucanas de São José e em princípios como liberdade de mercado e de expressão, honestidade, transparência e solidariedade.
A raiz do movimento tem referência em Emanuel Fernandes e Eduardo Cury, dois ex-prefeitos tucanos de São José cujas carreiras políticas estão entre as mais bem sucedidas da região.
O movimento será lançado em evento no auditório da ACI (Associação Comercial e Industrial) de São José, na região central da cidade, às 18h desta sexta-feira (11). O encontro será aberto e gratuito.
No local será lançado o manifesto do movimento, com uma carta de princípios que, segundo os fundadores, norteará a atuação dos participantes.
“A carta é bastante dura e tem valores bastante sólidos. Não queremos causar constrangimento a ninguém, mas defendemos questões como honestidade, defesa das liberdades, livre mercado, solidariedade (nenhuma pessoa fica para trás) e outra série de pontos dos quais não abrimos mão”, disse o ex-deputado federal Eduardo Cury.
SUPRAPARTIDÁRIO
Segundo ele, o movimento é suprapartidário e surgiu do incômodo que ele e Emanuel sentiram antes das eleições do ano passado, quando perceberam a necessidade de ajudar a formar novas lideranças políticas.
Depois de um hiato de sete anos, Emanuel retomou a vida pública em 2023 com encontros e palestras numa praça de São José e vídeos na internet para falar de política.
Mas embora Cury sustente que a ação nada tenha a ver com o PSDB, ela surge no auge da maior crise da história do partido.
A legenda não teve candidato à presidência, perdeu o governo de São Paulo depois de quase 30 anos e viu 11 dos 16 prefeitos eleitos no Vale em 2020 mudarem para o PSD, incluindo Felicio Ramuth, ex-prefeito de São José e uma das ‘crias’ do grupo de Emanuel e Cury.
INSPIRAÇÃO
Prefeito de Jacareí, Izaias Santana (PSDB) disse que Emanuel e Cury são a inspiração maior para o movimento.
“Como prefeitos, foram referência para muita gente e representam o ideal da política certa, comprometida com a seriedade, competência, transparência. A honestidade pessoal que transmite para a gestão e que sai da gestão maior de que quando entrou.”
Segundo ele, o movimento quer “inspirar mais pessoas no Vale das características que são do Vale”.
“Eles [Emanuel e Cury] estão dispostos a fazer essa mentoria. Usá-los como monitores e orientadores. Grande movimento para que possamos fazer a avaliação e estar a serviço das pessoas que pretendem governar as cidades da região”, afirmou Izaias.
“Vamos estar abertos para conversar e à disposição de candidatos e candidatas que quiserem disputar a eleição. Queremos desenvolver um jeito valeparaibano de fazer política e que vale a pena fazer política.”
ENCONTROS
A formatação do movimento deu-se em dois encontros informais que reuniram prefeitos, ex-prefeitos, parlamentares e candidatos do Vale. Outros encontros serão realizados nas próximas semanas em cidades do Vale.
O grupo fundador conta com Emanuel, Cury, Izaias, Sérgio Victor e Ortiz Jr. (Taubaté), Fábio Marcondes (Lorena), Marcus Soliva (Guaratinguetá), Zé Éder e Osmar Felipe Júnior, o ‘Filipinho’ (Cunha) e Carlos Abranches, José Mello Correa e Lia Blanco Fernandes (São José). Lia é filha de Emanuel Fernandes.
Com exceção de Victor, Soliva e Abranches, os demais são ligados ao PSDB. Mesmo assim, Cury refuta a ligação do movimento com o partido, tema que não quis comentar.
“Queremos fomentar novas lideranças independente do partido, que é uma escolha pessoal. Mas num partido não dá mais para separar as pessoas bem das más intencionadas. Tem problemas em todos os partidos, por isso não dá para fazer um movimento partidário”, afirmou.
SEM SOCIALISMO
Cury disse que o movimento está mais “à direita e da centro-direita” e não terá vínculo com a esquerda.
“Não é movimento de esquerda e o socialismo não tem espaço. Algum político socialista que respeitamos, a gente mantém a amizade, mas não participa do movimento.”
Perguntado se o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) seria aceito no movimento, Cury não quis comentar.
“Teremos muito rigor com a ética. Projetos individuais e carreiristas ficam em segundo plano. Ter projeto individual é legítimo, mas não ficará confortável nesse movimento. Não é um projeto de grupo de amigos também. Quem não aceitar as premissas do manifesto não participa do movimento.”
OPOSIÇÃO A LULA
Segundo o ex-deputado, o movimento nasce como de oposição ao governo federal de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e apoio ao governo estadual de Tarcísio de Freitas (Republicanos).
“Oposição ao governo federal nos une. Senti isso de todos. Não temos objetivo de fazer política contra o governo federal, mas a linha de oposição é a dos fundadores”, disse Cury.
“Queremos separar os bons valores e atrair pessoas que queiram participar da política. Os fundadores vão passar a experiência deles para esses novos que querem participar. Desde que siga a cartilha, será bem vindo.”
PRINCÍPIOS
Para Izaias Santana, o mais importante é a carta de princípios que servirá de norte para os membros. Cury disse que o movimento vai criar um ‘selo’ para os políticos que aderirem, independente do partido. A exigência será o compromisso com essas bases.
“Política tem que ter transparência, não tem carta debaixo da manga, plano B e nem relações dúbias com grupos. Transparência com a cidade, com os companheiros, com quem está no seu projeto e com as pessoas que estão assistindo, que não podem ter dubiedade na palavra do líder”, disse Izaias.
E completou: “Política tem que nos levar no caminho certo. Nenhuma cidade ou região pode caminhar na direção contrária a que o mundo caminha. A política é a resposta para o problema de hoje. Precisamos emprestar para a campanha e o governo os bons valores. Não posso ser um bom pai de família ou professor e ser um político mau caráter. Temos que fazer da política a extensão dos valores da nossa vida.”