HMUT
Vereadores da base aliada ao prefeito José Saud (MDB) criticaram as declarações do vice-governador Felicio Ramuth (PSD), que no fim do mês passado afirmou que o governo estadual não irá reassumir a gestão do HMUT (Hospital Municipal Universitário de Taubaté).
Declaração
Ao afirmar que o governo estadual não irá retomar a gestão do hospital, Felicio disse que "o custeio [do HMUT] é de responsabilidade do prefeito, que tem que ter seus cuidados necessários para garantir um bom atendimento de saúde para a população", e que Taubaté enfrenta "dificuldades financeiras" em "relação a outros contratos também, não só na área de saúde".
Sem pitaco
Presidente do diretório municipal do Republicanos, mesmo partido do governador Tarcísio de Freitas, o vereador Nunes Coelho defendeu que seja formada uma comissão na Câmara para insistir que o estado retome a gestão do HMUT. "Temos que fazer uma comissão não para sentar com o prefeito, mas para sentar com o governador. Ele [Felicio] é vice-governador, não tem que ficar colocando pitaco aqui na cidade de Taubaté".
Municipalização
Nunes, que em 2019 apoiava a municipalização do hospital, disse ter percebido agora que a mudança foi um erro. "Quem não quer um hospital municipal na cidade? Mas, na verdade, não é um hospital municipal, é um hospital regional. Mais de 60% dos atendimentos no hospital é da região do Vale do Paraíba, até do sul de Minas, de outros municípios", afirmou.
Audiência
Outro vereador do Republicanos, Douglas Carbonne, que também era a favor da municipalização em 2019, pediu que seja realizada uma audiência no dia 23 desse mês para abordar os repasses do estado e do governo federal para o custeio do HMUT, que segundo ele seriam insuficientes - o parlamentar afirmou que, embora 60% das pessoas atendidas sejam de outras cidades, Taubaté arca com quase 60% dos gastos mensais do hospital. O pedido de audiência foi aprovado em plenário essa semana.
Gestão
O hospital foi administrado de 1982 a 2013 pela Unitau (Universidade de Taubaté), que é uma autarquia municipal. Em março de 2013, com dívidas milionárias e problemas estruturais, a unidade teve a gestão transferida para o governo estadual - esse processo foi iniciado pelo ex-prefeito Roberto Peixoto e concluído pelo ex-prefeito Ortiz Junior (PSDB). Em 2019 o tucano fez o movimento inverso e retomou, em maio daquele ano, a gestão do hospital - que foi terceirizada à SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina).
Valores
Em março de 2019, quando o contrato com a SPDM foi firmado, o custo mensal era de R$ 6,5 milhões. Desse total, R$ 2 milhões vinham do governo estadual, R$ 1,7 milhão do governo federal e o restante (R$ 2,8 milhões) era completado pelo município. O custo mensal já está em R$ 9 milhões, mas não houve reajuste nos aportes estaduais e federais. A Prefeitura pede que o governo federal amplie o repasse mensal para R$ 5 milhões, e o estadual para R$ 4 milhões - caso isso ocorresse, essa soma já pagaria o contrato mensalmente, e o município não teria gasto com a gestão do hospital.
Dívida
A Prefeitura deve pelo menos R$ 9,5 milhões à SPDM. Desde o dia 11 de julho, o hospital opera de forma parcial, com leitos de enfermarias desativados, cirurgias eletivas canceladas, ambulatórios e corpo clínico reduzidos, além da realização de exames limitada a situações de emergência.