11 de julho de 2026
DOCUMENTO OVALE

'Com plano estratégico, Embraer pode dobrar receita em 5 anos', diz presidente a OVALE

Por Daniela Borges | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 4 min

A cada 10 segundos um avião Embraer decola em algum lugar do mundo. São 145 milhões de passageiros transportados anualmente. A cada viagem, o nome de São José dos Campos se projeta para o mundo, ganha evidência e importância como cidade polo de inovação e tecnologia.

Afinal, foi aqui, do sonho de um homem visionário chamado Ozires Silva, que nasceu a empresa líder mundial no segmento de aeronaves até 150 passageiros e a terceira maior fabricante de jatos comerciais do mundo.

Com uma receita anual de US$ 4,5 bilhões (2022) e um papel muito importante na balança comercial brasileira, a empresa-símbolo de São José se prepara para voos ainda mais altos com o programa de Mobilidade Aérea Urbana, além de outros projetos altamente inovadores.

Para compreender o momento atual da companhia e conhecer um pouco mais sobre as estratégias e desafios futuros, OVALE ouviu Francisco Gomes Neto, presidente e CEO da Embraer, em uma entrevista exclusiva em que ele fala sobre as expectativas para o futuro, quais os impactos da política econômica brasileira nos negócios da empresa e os futuros investimentos na cidade.

Como você define o momento atual da Embraer?

Estamos em um momento de crescimento. Há diversas campanhas de vendas em andamento e temos uma equipe motivada para fazer a Embraer retomar o seu potencial máximo. Nossa carteira de pedidos soma US$ 17,4 bilhões e estimamos um crescimento de receita de cerca de 15% neste ano.

Qual a expectativa para o futuro?

Olhamos para o futuro com otimismo. Estamos executando um plano estratégico que pode dobrar a nossa receita ao longo de cinco anos. Somos hoje uma empresa mais eficiente, mais ágil, inovadora e com uma linha de produtos e serviços competitiva. Além disso, estamos avançando no desenvolvimento de novos negócios, como o de Mobilidade Aérea Urbana. 

Qual a estratégia para manter a companhia competitiva?

Eficiência empresarial, inovação/ESG, parcerias e colaboração compõem a nossa estratégia de crescimento sustentável que, ao lado do contínuo investimento em capacitação das nossas pessoas, tornam a companhia mais competitiva no mercado global.

Como as turbulências do mercado internacional impactam a companhia?

Temos trabalhado em múltiplas iniciativas de forma colaborativa com clientes e fornecedores para superar as restrições da cadeia de suprimentos e aumento da inflação global. A Embraer tem sido resiliente e ágil na implementação de novas iniciativas que minimizem os impactos.

E qual o impacto da política econômica nacional?

A Embraer exporta mais de 90% da sua produção de aeronaves, o que gera um alto valor agregado à balança comercial brasileira. Ter um conjunto de sistemas e instrumentos de estímulo à inovação e às exportações é parte da política econômica estratégica de muitos países e vejo o Brasil avançando nesses aspectos também. O apoio do BNDES tem sido fundamental para financiar as exportações brasileiras.

A pandemia do novo coronavírus atingiu profundamente a indústria aeronáutica. A crise provocada pela pandemia já ficou para trás?

Sim. Concluímos a fase de recuperação graças a um plano estratégico realista e ao empenho de uma equipe fantástica na execução da estratégia com foco e disciplina. Nossa visão agora é de crescimento com rentabilidade e estamos entusiasmados com o futuro, apesar de desafios de curto prazo com a cadeia de fornecedores.

Qual a importância da Embraer para São José dos Campos?

A Embraer é uma empresa estratégica para a cidade e para o Brasil. Transformamos ciência e tecnologia em atividade industrial que gera milhares de empregos qualificados, arrecadação de impostos, atração de talentos e novos investimentos, beneficiando toda a sociedade.

E qual a importância de São José dos Campos para a Embraer?

A cidade é um polo de inovação essencial para a indústria aeronáutica brasileira. A região concentra o conhecimento disseminado pelo ITA, CTA e empresas que fazem parte da Base Industrial de Defesa do Brasil.

O joseense sente orgulho da Embraer, a Embraer também orgulha-se de ser joseense?

Sem dúvida! Temos muito orgulho das nossas origens e das pessoas que construíram essa história de sucesso. Foi aqui que nasceu o avião Bandeirante que abriu caminhos para a indústria aeronáutica nacional ser admirada em todo o mundo. Nossas inovações buscam perpetuar o sonho dos visionários liderados pelo engenheiro Ozires Silva há mais de 50 anos.

Como a vinda de outras empresas do setor para a cidade impactam a Embraer?

Desenvolver um ecossistema do setor aeronáutico brasileiro forte e diverso é algo positivo e necessário. Temos contribuído com isso também por meio de nossas coligadas, como a EDE, Atech e Visiona, ou via atração de novos fornecedores. A Embraer se opõe, no entanto, ao processo de captura sistemática e contratação de engenheiros que atuam em projetos estratégicos para o país, ameaçando a soberania nacional e a Base Industrial de Defesa.

Quais serão os novos investimentos para a cidade? Há novos 'voos' previstos para a Embraer em São José dos Campos

São José dos Campos é sede do nosso centro global de engenharia e tecnologia e da nossa principal unidade industrial. Há importantes inovações tecnológicas em andamento e projetos em fase de estudos, como a família Energia, de aeronaves-conceito com propulsão a hidrogênio e híbrido-elétrica. Temos atuado também na adequação da fábrica para atender o aumento da produção dos E-Jets e a conversão para cargueiros.