11 de julho de 2026
DOCUMENTO OVALE

Nem o céu é o limite: São José tem vocação para o futuro, tecnologia e inovação

Por Daniela Borges | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 5 min

Protagonista.

Primeira 'Cidade Inteligente' do país e terceiro município mais rico do interior do Brasil, São José dos Campos tem em seu DNA a vocação para o futuro, para a tecnologia e a inovação aliada à qualidade de vida.

Após enfrentar a maior crise de sua história, encarando três anos de pandemia, São José chega aos 256 anos renovada, pronta para um novo salto de crescimento, protagonista de um mundo em revolução e encarando o desafio de seguir crescendo, sem sacrificar o bem-estar de seus privilegiados moradores.

Segundo especialistas e o próprio Censo 2022, a cidade passa por uma transição demográfica em que o crescimento populacional já não é uma preocupação. “Hoje, a cidade sofre um processo de migração interna, dos bairros periféricos para os mais nobres, até com a melhoria do poder aquisitivo da população”, afirma o arquiteto Flávio Brant Mourão, professor da Unitau (Universidade de Taubaté).

EXPECTATIVA DE VIDA

Além dos fluxos migratórios, o arquiteto e urbanista Pedro Ribeiro Moreira Neto, professor da Univap (Universidade do Vale do Paraíba) aponta para o aumento na expectativa de vida da população como outro aspecto a ser considerado. “Isso obriga as cidades e o modo de vida urbano a desafios nunca enfrentados, mas de consideração obrigatória”, afirma. De acordo com a Fundação Seade, mais de 60% da população joseense tem mais de 30 anos, sendo 16,2% com mais de 60 anos.

Projeções do IBGE para a Região Metropolitana do Vale do Paraíba apontam que a população com mais de 60 anos passará das atuais 344,5 mil pessoas para 866,4 mil em 2060. Os mais velhos representarão 32% da população.

Isso tem implicações fundamentais na configuração do município, que deve ser mais inclusivo e acessível. “Impacta a mobilidade em geral. O acesso ao transporte de pessoas tem que ser facilitado, ônibus e estações mais confortáveis, passeios públicos melhor adaptados a pessoas com necessidades especiais de locomoção, lazer de qualidade em novos espaços públicos, centros de esporte e atividades culturais”, diz.

A cidade, segundo ele, já não tem mais para onde crescer no quesito espaço/superfície, pois suas fronteiras chegaram aos municípios vizinhos ou estão em área de preservação. Ele concorda que a cidade só pode crescer nos centros, tanto o tradicional e histórico quanto os dos bairros, como a região da avenida Andrômeda, Campos de São José, Novo Horizonte e outros.

Nesse aspecto, bairros como a Vila Adyana e Vila Ema passam a ser o sonho de consumo da classe média. “Locais onde floresce justamente o que falta na Zona Oeste”. Para ele, a região do Urbanova é uma periferia rica que carece de centros comerciais e empresariais, serviços, diversidade social, econômica e cultural. “É hoje uma ocupação urbana sem centro, não constitui um bairro de verdade”.

Para Flávio Mourão, o adensamento nas regiões centrais é desejado porque evita deslocamentos, mas ainda assim o transporte público deve estar mais presente para evitar congestionamentos.

“O adensamento não segue o critério de colocar infraestrutura, inclusive, viária e de áreas verdes. Mexem nas leis de zoneamento aumentando o coeficiente de aproveitamento sem o devido respaldo da capacidade de suporte daquela região, com escolas, área verde e transporte público, que hoje é a questão mais importante”, diz. Ele lembra ainda da necessidade dos espaços públicos intercalados e cita que o Vicentina Aranha já está sobrecarregado.

Em outro ponto de vista, Ronaldo Queiroga, diretor do IPPLAN (Instituto de Pesquisa e Planejamento), afirma que vivemos um "espraiamento" da cidade, que se acentuou com a pandemia. “Onde pessoas que habitavam em edifícios, e até em outras cidades, mudaram-se para residências térreas em busca de melhor qualidade de vida”, afirma.

De acordo com o secretário de Urbanismo e Sustentabilidade, Marcelo Pereira Manara, São José possui umacombinação de um plano de mobilidade urbana arrojado com as diretrizes urbanísticas do Plano Diretor, “que apontam para uma cidade mais fluida e equilibrada, com diversas centralidades distribuídas em seu território, se adequando para uma realidade mais moderna no conceito da cidade a pé, múltipla e acessível”, diz.

CONSTRUÇÃO CIVIL

A pandemia aqueceu o cenário da construção civil. “Com uma média diária de 35 protocolos para construções de residências, comércio, indústrias, etc, e recordes históricos também no segmento de parcelamento de solo, saltando de 20 projetos analisados por ano para 75”, aponta o secretário de Urbanismo e Sustentabilidade.

Os novos modelos híbridos de trabalho também influenciaram esse cenário. “Muitas pessoas buscam viver em São José por conta da qualidade urbanística e dos indicadores de qualidade de vida, enquanto mantêm empregos remotos em capitais como São Paulo ou Rio de Janeiro”, completa.

Segundo dados da Aconvap (Associação das Construtoras do Vale do Paraíba), São José teve, nos primeiros quatros meses do ano, 37 empreendimentos imobiliários lançados, com destaque para as regiões Centro e Oeste, e imóveis de médio e alto padrão.

“São José conta hoje com incentivos para construções sustentáveis (green building), já implementados como política pública. O ambiente construído deve adotar conceitos sustentáveis, atraindo investimentos que ajudarão a situar o futuro da cidade”, explica Manara.

TRANSPORTE

Iniciativas de melhoria podem ser vistas pela cidade. Além da Linha Verde, obras no Anel Viário e a revitalização do centro são algumas delas.

São José está investindo na conversão do modal do transporte público para mobilidade elétrica, abastecido por energias verdes auditáveis pela usina de biogás do aterro e fazenda fotovoltaica, que atenderão 60% do consumo dos prédios públicos.

A cidade prepara ainda o Plano Diretor de Infraestrutura Verde e Soluções Baseadas na Natureza, parte do Plano de Adaptações às Mudanças Climáticas, para que o crescimento e desenvolvimento da cidade esteja aliado aos fatores de sustentabilidade.