A Secretaria de Assistência Social, Pessoa com Deficiência e Direitos Humanos de Campinas confirmou que a cidade tem 66.019 famílias registradas na condição de extrema pobreza e 13.328 famílias na condição de pobreza.
A pasta disse que o crescimento das famílias em condição de extrema pobreza em Campinas “reflete um fenômeno nacional, de agravamento das desigualdades sociais”, com alta de 37,7% do número de famílias em extrema pobreza no país entre 2021 e 2022. No estado de São Paulo, o aumento foi de 40%.
“O enfrentamento da situação de pobreza e de extrema pobreza exige parcerias entre todos os entes federativos e não se restringe à área da Assistência Social. O propósito vai além do acolhimento, mas também visa à emancipação das pessoas nessas condições”, afirmou a pasta.
Entre as medidas, a pasta lista programas como o Renda Campinas (transferência de renda), Feira Mulheres Empreendedoras (emancipação de mulheres em vulnerabilidade), Mão Amiga e Juventude Conectada (qualificação) e ações que visam a segurança alimentar, como Cartão Nutrir, Banco de Alimentos, Campinas Cidade Solidária e Sustentável e Viva Leite, além de benefícios como auxílio natalidade, moradia e recâmbio.
Os mais vulneráveis contam ainda com 15 benefícios por meio do Cadastro Único, financiados pelo município, Estado e União.
Em 2021, a Prefeitura de Campinas criou o Paes (Programa de Ativação Econômica e Social), que inclui medidas de proteção social entre seus eixos.
SÃO JOSÉ
A Prefeitura de São José dos Campos informou que conta com 11 Cras (Centros de Referência da Assistência Social) para atender a população, em todas as regiões do município. A meta é reforçar a inscrição de famílias em situação de vulnerabilidade no Cadastro Único, principal via para acesso aos programas sociais do governo.
O Cras também atende a demanda espontânea e faz busca ativa e acompanhamento das famílias em situação de vulnerabilidade.
Além disso, a cidade propõe a oferta de cursos profissionalizantes com prioridade para pessoas que utilizam serviços, projetos, programas de transferência de renda e benefícios socioassistenciais, mobilizados e acompanhados pela Secretaria de Apoio Social ao Cidadão.
Há ações como o Prospera Família (programa de mentoria, capacitação, apoio emocional e suporte para famílias), Inclusão Produtiva (cursos profissionalizantes), Escolas Móveis (cursos de qualificação), Qualifica São José (geração de renda ) e diversos auxílios sociais, como Bolsa Família, Viva Leite, Aluguel Social, Auxílio Moradia, Passagem, Auxílio Natalidade e Auxílio Funeral.
ANÁLISE
Em estudo sobre a pobreza, o demógrafo Pier Francesco De Maria, pesquisador na Unicamp, disse que a renda é um índice importante para avaliar a pobreza, mas insuficiente.
Ele tem avançado em indicador mais completo, chamado de ‘pobreza multidimensional’, que envolve aspectos como qualidade da moradia, acesso a serviços, nível de escolaridade para concorrer no mercado de trabalho e emprego.
“Na tese, procuramos estudar quanto os pobres são diferentes entre si – e também dos não pobres –, recorrendo a uma divisão em quatro grupos: os não-pobres, os vulneráveis à pobreza, os pobres e os extremamente-pobres”, afirmou De Maria ao Jornal da Unicamp.