11 de julho de 2026
CENSO 2022

Número de casas vazias na RMVale é 30 vezes maior do que população em situação de rua

Por Xandu Alves | Da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução
Vale tem 37 vezes mais casas vazias do que pessoas em situação de rua

As regiões metropolitanas do Vale do Paraíba e de Campinas reúnem 251.674 imóveis vazios, entre apartamentos e casas particulares, de acordo com dados do Censo 2022 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O número é 30 vezes superior ao total de pessoas em situação de rua nas duas regiões, que juntas tinham aproximadamente 8.180 pessoas nessa condição em março deste ano, segundo a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social.

Nas 39 cidades do Vale, a quantidade de moradias vazias é de 113.520 diante de uma população em situação de rua de 3.061 pessoas aproximadamente, o que representa 37 vezes menos do que o total de casas sem ocupantes.

CIDADES.

São José dos Campos acumula 24.694 casas particulares vazias para uma população de rua de 178 pessoas, de acordo com a prefeitura -  138 vezes menos do que os imóveis fechados.

As casas vazias seriam capazes de zerar a fila por imóveis em São José, cujo déficit habitacional gira em torno de 21 mil moradias, de acordo com estimativa da pesquisadora e gestora pública Vanessa Aparecida de Oliveira, em monografia de especialização para a Universidade Tecnológica do Paraná.

Taubaté tem 15.187 sem ocupação e cerca de 250 pessoas em situação, de acordo com levantamento feito pela prefeitura em 2022. A proporção é de 60 casas vazias para cada pessoa em situação de rua.
"Os números do IBGE revelam o fosso da desiguadade social, que fica ainda mais evidente na questão da habitação popular", disse o historiador Douglas Almeida.

CAMPINAS.

A RMC (Região Metropolitana de Campinas) tem um total de 138.154  moradias particulares vazias, segundo o IBGE.  O número é 27 vezes maior do que a quantidade de pessoas em situação de rua, que chega a cerca de 5.119.

Só a cidade de Campinas tem 54.662 casas e apartamentos sem ocupantes para um público de 2.000 moradores de rua, segundo estimativa da Câmara. O número é 27 vezes superior ao de pessoas sem-teto.

As moradias vazias seriam mais do que suficientes para atender o déficit habitacional de Campinas, atualmente em torno de 40 mil moradias.

Para o vereador Paulo Gaspar (Novo), que é arquiteto urbanista e presidente da Comissão sobre População em Situação de Rua da Câmara de Campinas, as casas vazias poderiam ser utilizadas para esse programa", disse o parlamentar.

"Precisamos fazer um programa de locação social para subsidiar o aluguel dessas pessoas que estão na fila por moradia. Se essa política estivesse funcionando em Campinas, essas 50 mil casas poderiam ser utilizadas para esse programa", disse o parlamentar.

"Não é subsidiar aluguel por tempo indefinido, mas trabalhar para que essas pessoas se reestruturem. Essa política impede de as pessoas irem para as ruas, mas a prefeitura não quis fazer e o projeto está na Câmara", afirmou Gaspar.