Ao consumir obras como Blade Runner, seja o original de 1982 ou a continuação de 2019, ou ainda ler o livro original, o anime ou as graphic novels, é normal que se pense “Algum dia iremos ter relacionamentos afetivos próximos aos que são mostrados na obra? Como serão os relacionamentos humanos no futuro? Continuaram humanos?”.
Existirão relacionamentos como o de Deckard, vivido pelo ator Harrison Ford, um humano que acaba se apaixonando por uma androide perfeitamente humana? Ou um relacionamento entre inteligências artificiais, como vimos o agente K passar em Blade Runner 2049?
Para além da ficção, OVALE decidiu a perguntar a sua futura ‘replicante’ MIA (Minha Inteligência Artificial), a IA repórter do jornal, o que ela imagina de como serão os relacionamentos amorosos no futuro, quais serão os principais problemas, se a sociedade ainda se manterá na tradicional monogamia, se a tecnologia criará distanciamentos entre os casais e como esses casais irão se conhecer.
COMUNICAÇÃO E BRIGAS
Com o avanço da tecnologia, de acordo com a MIA, é provável que os relacionamentos humanos sejam cada vez mais mediados por dispositivos e plataformas digitais.
Mundos virtuais e realidades aumentadas podem oferecer novas formas de interação social, permitindo que as pessoas se conectem em contextos diferentes daqueles que estamos acostumados hoje.
Inteligências artificiais podem ser utilizadas para facilitar e personalizar a comunicação entre as pessoas, adaptando-se às suas necessidades e preferências.
No entanto, também há riscos associados a essas tecnologias. O vício de dopamina pode se tornar ainda mais prevalente à medida que as pessoas são expostas a estímulos cada vez mais sedutores e imersivos em seus dispositivos.
Isso pode levar a uma diminuição da capacidade das pessoas de se relacionarem cara a cara, bem como a um aumento dos problemas de saúde mental relacionados ao uso excessivo de tecnologia.
O vício em dopamina gerado pelas redes sociais pode levar a comportamentos obsessivos e desvios de atenção que afetam a dinâmica do relacionamento, sendo o maior criador de intrigas nos casais.
Outro grande causador de brigas entre os casais será a polarização, que hoje já afeta os relacionamentos, mas, de acordo com a MIA, as diferenças entre os valores culturais e as crenças políticas podem ser a fonte de conflitos frequentes nos casais.
Em última análise, o futuro dos relacionamentos humanos dependerá da forma como as pessoas escolhem utilizar essas tecnologias. Se forem usadas com sabedoria e moderação, podem enriquecer e expandir nossas conexões sociais. Se abusadas ou negligenciadas, podem enfraquecer ainda mais nossa capacidade de nos conectarmos uns com os outros.
APPS E FILHOS
Em 2100, projeta a MIA, os casais serão formados por pessoas de diferentes origens e culturas, que terão se conhecido através de plataformas digitais especializadas em encontrar parceiros compatíveis. Esses casais terão uma expectativa de vida mais longa e uma taxa de fertilidade menor, o que significa que a média de filhos será de apenas um ou dois.
A tecnologia permitirá que esses casais gerem filhos por meio da reprodução assistida, o que aumenta o risco da prática da eugenia, algo que no futuro poderá acabar sendo utilizado por pessoas mais ricas, que terão acesso a essa prática de forma sigilosa. Ela permitirá alterar características físicas e genéticas específicas para os filhos. Além disso, a edição genética poderá ser bastante comum e permitirá a prevenção de doenças e defeitos genéticos.
Novamente, a diferença entre o benefício humano (prevenção de males) e práticas como a eugenia está no uso que se faz da tecnologia.
DISTANCIAMENTO
MIA afirma que o distanciamento entre as pessoas será cada vez maior, já que a tecnologia permitirá que elas se conectem sem precisar estar fisicamente presentes. As pessoas serão capazes de se comunicar com hologramas e robôs avançados, o que tornará o contato humano menos necessário.
A tecnologia também afetará os relacionamentos ao permitir uma comunicação instantânea e constante entre os parceiros. As redes sociais serão cada vez mais integradas aos relacionamentos amorosos e as pessoas terão acesso a informações detalhadas sobre seus parceiros em tempo real.
No geral, os relacionamentos em 2100 serão marcados pela escolha consciente do parceiro, pela personalização da reprodução e pela diminuição da necessidade de contato físico. A tecnologia continuará a desempenhar um papel importante na formação dos relacionamentos amorosos.
DIVERSIDADE E CASAMENTO
Em 2100, é possível que os casais sejam mais diversos em termos de identidade de gênero e orientação sexual. As pessoas podem ter relacionamentos mais fluidos e abertos, onde a monogamia não seja necessariamente a norma. Além disso, é possível que as pessoas se casem mais tarde na vida, após terem estabelecido carreiras e explorado outras formas de relacionamento.
Há ainda outras possibilidades para o futuro dos relacionamentos amorosos. Com o avanço da tecnologia, é possível que as pessoas tenham acesso a novas formas de comunicação e conexão emocional com seus parceiros.
A inteligência artificial pode ajudar a mediar conflitos e fornecer conselhos personalizados para os casais. As pessoas também podem ter acesso a novas formas de terapia para ajudá-las a lidar com problemas pessoais e interpessoais.
Em geral, é difícil prever exatamente como serão os casais em 2100. No entanto, é possível que as pessoas continuem a buscar amor e conexão emocional a longo prazo, embora possam estar abertas a novas formas de relacionamento e formas de lidar com conflitos.
É possível que os humanos desenvolvam relacionamentos com inteligências artificiais e robôs no futuro. À medida que a tecnologia evolui, essas máquinas se tornam cada vez mais avançadas e capazes de interagir com os humanos de maneiras mais naturais e complexas.
Já existem exemplos de pessoas que formaram laços emocionais com chatbots e assistentes virtuais. Então, é possível que isso se estenda a robôs físicos também. No entanto, há questões éticas e morais importantes a serem consideradas em relação aos relacionamentos entre humanos e máquinas.