08 de julho de 2026
ESPAÇO

Ameaça do universo: que risco a Terra corre com objetos vindos do espaço?

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução

A queda de objetos vindos do espaço na última segunda-feira (19), fenômeno avistado por moradores do Vale do Paraíba, aponta o risco que a Terra corre com a colisão de corpos celestes e se o planeta está preparado para enfrentá-los.

O objeto avistado em diversas cidades da região pode ter sido resultado de fragmentos de um meteoro ou de lixo espacial.

José Williams Vilas Boas, astrônomo da Divisão de Astrofísica do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), disse que a coloração e o tempo de duração do fenômeno foram equivalentes a um meteoro.

“O que chama a atenção é o tempo de duração e a coloração, que sugerem algo como meteoro, com coloração esverdeada clara, que é típica e tem a ver com a composição química quando entra na Terra”, disse o especialista.

Segundo Vilas Boas, a fragmentação do objeto, que se dividiu em vários pedaços, e a manutenção da trajetória e da coloração também são aspectos mais próximos aos meteoros. “Impressão é que não se trata de lixo espacial, que teria uma cor mais avermelhada, por causa da composição química e da velocidade”.

Já para analistas da Saipher, empresa de São José dos Campos especializada em analisar o que acontece na atmosfera, as luzes indicavam a fragmentação de pedaços de um foguete chinês usado para lançar satélites em órbita terrestre baixa.

Meteoro ou lixo espacial, Vilas Boas disse que o risco que a Terra corre é real e que há agências monitorando regularmente a aproximação de objetos do espaço, como asteroides.

“Existem programas de monitoramente que transcendem a física e astrofísica. Principalmente com asteroides, que são corpos bem maiores. Existe, sim, a ameaça de que possam cair na Terra”, afirmou.

Segundo ele, os principais programas de monitoramento estão nos Estados Unidos, Europa e na Rússia. “O Brasil não tem um programa preciso e bem estruturado, mas os demais conseguem dar conta do monitoramento do planeta todo”, disse o astrônomo.

Vilas Boas explicou que há milhares de corpos celestes catalogados e que são chamados de ‘Objetos Próximos da Terra’ (NEO, na sigla em inglês). Alguns podem pesar “centenas e milhares de toneladas” com órbitas que passam perto a Terra “de vez em quando”. Mas há “os que ninguém espera”.  O perigo é real.

NASA

A Nasa, agência espacial americana, mantém uma página na internet onde qualquer pessoa pode ver os diversos asteroides e cometas do Sistema Solar, bem como suas órbitas e localizações exatas no espaço.

Trata-se da experiência interativa Eyes on Asteroids. Com a ferramenta, é possível acompanhar quase em tempo real as novas descobertas realizadas pelos astrônomos.

Um dos recursos permite ao usuário rastrear os próximos cinco asteroides que passarão perto da Terra e obter informações como: tamanho estimado, distância que passarão pelo planeta e uma contagem regressiva ao vivo para a chegada.

Segundo a Nasa, o último impacto significativo de um asteroide contra a Terra ocorreu em 15 de fevereiro de 2013, quando o objeto, de 17 metros de largura, explodiu no ar acima da cidade de Chelyabinsk, na Rússia.