11 de julho de 2026
DOENÇA

Prefeitura de São José nega caso de febre maculosa, mas reforça apelo para prevenção

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação / PMSJC
Aplicação de produto à base de fungo no Parque da Cidade, que reduziu ciclo de vida do carrapato

A Prefeitura de São José dos Campos informou que não há caso de febre maculosa confirmado na cidade até esta segunda-feira (19). A nota rebate informação que circula nas redes sociais de que uma criança estaria contaminada com a doença.

“Para que não sejam criadas fake news e notícias alarmantes, o município só divulgará se houver confirmação do Instituto Adolfo Lutz, responsável pela análise de casos”, informou a Secretaria de Saúde.

A pasta disse que a notificação de todo caso suspeito de febre maculosa é obrigatória e imediata -- em até 24h -- e deve ser realizada por meio do sistema de informação Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação), ligado ao Ministério da Saúde. Não informou, contudo, se há casos suspeitos na cidade.

Segundo o CVE (Centro de Vigilância Epidemiológica), o estado de São Paulo tem 19 casos de febre maculosa registrados neste ano com nove óbitos, sendo quatro mortes relacionadas ao surto na região de Campinas.

Em 2022, foram registrados 63 casos, com 44 óbitos confirmados. Já em 2021, foram 87 casos e 48 óbitos.

DIAGNÓSTICO

Por ser uma doença de interesse em saúde pública, em virtude do desfecho grave, assim como pela necessidade de ações de vigilância, as amostras biológicas de todos os casos suspeitos de febre maculosa devem ser enviadas ao Instituto Adolfo Lutz, na capital.

Deve-se coletar uma primeira amostra de sangue para a realização de sorologia no início dos sintomas e, após duas semanas, coleta de segunda amostra de modo a permitir a realização da sorologia em amostras pareadas.

PREVENÇÃO

A febre maculosa é uma doença infecciosa, febril aguda e de gravidade variável. Ela pode variar desde as formas clínicas leves e atípicas até formas graves, com elevada taxa de letalidade.

A doença é causada por uma bactéria do gênero Rickettsia e transmitida pela picada do carrapato infectado com a bactéria.

A recomendação da Secretaria de Saúde de São José é de que, ao andar em local de mata natural, verifique com frequência se há algum carrapato preso ao corpo. Também use roupas claras com manga longa, calça comprida e calçado fechado.

Se tiver febre alta, dor de cabeça, calafrio, dor no corpo e manchas avermelhadas, procure o serviço médico de emergência nas Upas e pronto-socorro e informe que esteve em área natural.

“Essas informações vão ajudar na suspeita de um diagnóstico precoce e início de tratamento antimicrobiano específico em tempo oportuno”, informou a pasta.

PARQUE DA CIDADE

Em dois anos de utilização no Parque da Cidade, na região norte de São José dos Campos, um produto à base de fungos conseguiu diminuir a infestação de carrapatos-estrelas (Amblyomma sculptum), espécie que é potencial transmissora da febre maculosa. As ações são realizadas pela Prefeitura de São José em parceria com o Instituto Biológico de São Paulo, órgão do governo do Estado.

Antes do uso do carrapaticida biológico, em outubro de 2020, foram coletadas no local 598 ninfas, que são os ácaros na fase inicial de vida. O número de indivíduos capturados nas armadilhas instaladas, que havia sido de apenas 87 em 2021, caiu para somente 41 no final de 2022, numa redução de 93,1% no comparativo entre a fase pré-tratamento e a contagem mais recente.

O fungo conseguiu interromper o ciclo do carrapato-estrela. Adultos e ninfas foram encontrados em quantidades reduzidas, e nenhuma larva foi recuperada nas áreas tratadas desde o início dos trabalhos, comprovando a eficácia do tratamento.

As aplicações do produto em fase de teste são feitas somente no período de outubro a março, meses que caracterizam um período chuvoso, pois os fungos não sobrevivem em tempos secos. Sempre no final de mês, as aplicações são feitas em dias de maior umidade e horários com redução de radiação UV para garantir a sobrevivência dos fungos.

Além da aplicação do biocarrapaticida, as equipes realizam o manejo da grama do Parque da Cidade, mantendo-a constantemente aparada. Banners instalados pelo parque orientam os frequentadores sobre os cuidados que devem ser tomados ao visitar áreas naturais, como vestir roupas claras, meias e calçados fechados, olhar o corpo a cada três horas e não sentar diretamente no gramado.