09 de julho de 2026
EMPRESAS

Diversidade e inclusão de pessoas LGBTI+ nas empresas é tema ainda tabu

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução

O tema da diversidade de gênero e da inclusão de pessoas LGBTI+ nas empresas carece de efetivo desenvolvimento no Brasil, embora existam boas iniciativas e tentativas de derrubar tabus e preconceitos. Mas a realidade ainda é desafiadora.

Pesquisa global da PwC Brasil revela que 85% das empresas afirmam que acreditam na importância da pauta de inclusão e diversidade. Contudo, apenas 5% delas têm ações maduras e evoluídas nessas áreas.

De acordo com a pesquisa GPW (Great Place to Work) de 2022, sobre as melhores empresas para se trabalhar, 24% das pessoas LGBTI+ já sofreram algum tipo de discriminação no ambiente de trabalho, sendo vítimas de comentários preconceituosos, o que dificulta a inclusão.

Nas empresas brasileiras, apenas 10% dos profissionais se declararam LGBTI+, apontou a GPW.  Em posições de liderança, como chefia, diretoria e presidência, esse número é ainda menor, de 8%.

“Ainda não vimos um atingimento maduro e evoluído de práticas de inclusão e diversidade”, disse Camila Cinquetti, sócia responsável pela consultoria de People & Organization na PwC Brasil.

A Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, feita pelo IBGE, mostra que 1,8% da população se declarou LGB+ -- a pesquisa não contemplou dados de identidade de gênero. Especialistas na área consideram o percentual de 5% mais realista.

Nessa mesma pesquisa, 3,6 milhões de pessoas preferiram não responder, mostrando o quanto o tema ainda é revestido de preocupação. Esse foi único levantamento demográfico com autodeclaração de orientação sexual.

A falta de dados é um dos obstáculos para aprimorar a pauta de inclusão no setor empresarial, que ainda tropeça em desinformação.

“Há uma confusão gigantesca no mercado brasileiro e criou-se um mito de que você não pode fazer a pergunta para os profissionais [de se declararem LGBTI+]. As empresas estão com muito medo de fazer a pergunta”, disse Eduardo Machado, sócio e líder de Inclusão e Diversidade para a dimensão LGBTI+ da PwC Brasil.

Segundo ele, a pergunta ao profissional pode ser feita, desde que a informação seja protegida, como determina a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados).

“O dado tem que ser tratado de forma anônima. A gente trabalha na PwC estimulando as pessoas a se autodeclararem. A partir do momento que eu conheço minha população autodeclarada LGBTI+, eu consigo trabalhar melhor o tema”, afirmou Machado.

O tema da inclusão e diversidade nas empresas tem que ser tratado na prática, não apenas como marketing. Além de tornar a companhia mais diversa e, portanto, mais produtiva e criativa, a inclusão tornou-se referência no mercado.

“A diversidade e inclusão são fundamentais para a sobrevivência ou extinção da empresa. Inovação não existe sem diversidade. Empresas que não adotam práticas de inclusão e diversidade tendem a perder relevância no mercado”, disse Eduardo Machado, sócio da PwC Brasil.