O corpo do aposentado Martinho Lopes, 79 anos, morto em uma lotérica de São José dos Campos após um mal súbito na tarde de segunda-feira (5), foi deixado no chão do estabelecimento por aproximadamente quatro horas. A informação foi dada à reportagem de OVALE por Maria José, 81 anos, viúva do idoso.
A viúva relatou que o marido saiu de casa por volta das 14h, de bicicleta, para ir até a casa lotérica pagar uma conta de energia. O óbito ocorreu por volta das 15h30. De acordo com dona Maria, o recolhimento do corpo de Martinho ocorreu apenas após as 19h.
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“Vieram me avisar no portão que ele teria passado mal e eu fui até a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) com uma de minhas filhas para ver se encontraria ele lá. Não encontrei. Voltamos para casa e, novamente no portão me informaram que o corpo dele estava lá ainda. Minha vontade era ir lá e brigar com todos”, desabafou a senhora.
Pelas imagens obtidas por OVALE, é possível ver a movimentação normal em frente ao local e o corpo de Martinho Lopes coberto por uma manta térmica em uma região afastada do fluxo. É possível ver também uma ambulância do Samu (Serviço de Atendimento Médico com Urgência) estacionado a uma distância maior.
Chocada, a senhora disse que viu pela TV e pelas redes, através de sua filha, os momentos em que o corpo de seu marido é colocado em uma parte lateral da lotérica enquanto o estabelecimento funciona de forma ‘natural’. Religiosa, ela exaltou sua fé e criticou o ‘comportamento alheio’ das pessoas que estavam no local. “Deus é maior que tudo, né? É como eu penso. O povo está muito frio, não tem respeito. Me entristece, mas Deus é maior que tudo”, reiterou.
A reportagem tentou novamente contato com a lotérica em que os fatos ocorreram, via telefone, mas não foi atendida. O espaço segue aberto para qualquer manifestação.
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OUTRO LADO
Em resposta aos questionamentos da reportagem, o Samu afirmou que na ocasião a equipe de resgate tentou manobras de reanimação no local, mas o óbito acabou constatado.
Com isso, disse que permaneceu no aguardo de uma equipe especializada para realizar o recolhimento do corpo, como o IML (Instituto Médico Legal) ou a Urbam (Urbanizadora Municipal), destacando que as unidades do Samu não são responsáveis por esse tipo de transporte.
Confira abaixo a nota na íntegra.
O Samu respondeu a um chamado sobre um paciente em parada cardiorrespiratória em uma casa lotérica de São José dos Campos na última segunda-feira (5).
Como é padrão em tais circunstâncias, foram feitas tentativas de reanimação no local mas o óbito foi constatado.
Nesses casos, o recolhimento do corpo é feito por uma equipe especializada do Instituto Médico Legal ou da Urbam, já que as unidades do Samu não são responsáveis por esse tipo de transporte.
Esclarecemos que todas as ações tomadas seguem estritamente os protocolos estabelecidos para garantir a segurança e o respeito ao fato.
No caso de alguma pessoa decidir iniciar o processo de reanimação, o ideal é que ligue para o Samu no 192 para receber as orientações adequadas.
SEM RESPOSTA
A reportagem entrou em contato também com o IML e com a Urbam para questionamentos sobre o recolhimento da vítima, mas até a conclusão deste material ainda não havia sido respondida.