16 de abril de 2026
PERSONAGEM

Único patrimônio do Lunático Dançarino, bicicleta ‘Nova Estrela’ tem destino incerto

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação / Wagner Ribeiro / São José dos Campos Antigamente
Lunático Dançarino e a famosa bicleta 'Nova Estrela'

Provavelmente único patrimônio do Lunático Dançarino, a famosa bicicleta ‘Lunática Nova Estrela’ tem destino incerto em São José dos Campos.

O veículo era uma das criações mais conhecidas de José Aparecido de Oliveira, o Lunático Dançarino, figura folclórica do centro de São José que morreu aos 56 anos.

Ele morreu em 15 de maio num hospital em Itajubá (MG), após ser internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Lunático morreu em decorrência de um AVC (Acidente Vascular Cerebral) e de problemas cardíacos.

O corpo dele foi sepultado no cemitério municipal de Brazópolis (MG), cidade de 14 mil habitantes onde vive a família.

Famoso em São José por sua dança ‘treme-treme’ e pelo trabalho na divulgação do comércio da região central, Lunático usava a superdecorada bicicleta ‘Lunática Nova Estrela’ para seus trabalhos com publicidade.

Familiares e amigos não sabem bem onde a bicicleta está e temem que o veículo vire sucata.

Leia mais: Morre aos 56 anos o Lunático Dançarino, figura folclórica do centro de São José

DIFICULDADES

Segundo amigos, a bicicleta do Lunático deve estar em um estacionamento na praça Cônego Lima, no centro de São José, onde ele trabalhava e vivia nos últimos anos, com muita dificuldade.

O veículo é a principal ‘herança’ do famoso personagem da cidade, que enfrentou dificuldades financeiras boa parte da vida, embora fosse bastante conhecido.

“A bicicleta dele deve estar no estacionamento onde ele tomava conta, na praça Cônego Lima. Ele morou ali e guardava o carrinho e tudo. Ele morou 20 anos lá”, contou o amigo e cantor Paraty, 77 anos, um dos mais antigos músicos de São José ainda em atividade.

Foi na casa de Paraty, nome artístico de Evandro da Silva, que Lunático viveu os últimos dois meses e meio em São José, no bairro Galo Branco, na região leste da cidade.

“Ele estava com dificuldade financeira e de saúde. Saiu aqui de casa para morrer em Itajubá. Estava com o coração inchado. A situação financeira era bem ruim. Eu que estava dando apoio agora nessa reta final. Ele tinha um quarto aqui em casa só para ele”, contou Paraty.

FOME

Amigo de mais de 25 anos do Lunático, o policial militar aposentado Valter Isidoro de Souza, 64 anos, confirma as dificuldades financeiras pelas quais ele passava.

“Muita gente achava que ele tinha dinheiro, mas não tinha. Passava dificuldades mesmo, chegando até a passar fome. Ninguém o ajudava. Muita gente se elegeu com ele fazendo propaganda ou se beneficiou da figura dele, que era bem conhecida na cidade, e no final ninguém deu apoio”, disse Souza.

“Eu o levei para Minas Gerais algumas vezes e também cheguei a ajudá-lo para ter o que comer. A situação não era nada fácil. Ele também era indisciplinado para tomar remédio, o que o prejudicou.”

Souza também acredita que a bicicleta do Lunático esteja no estacionamento onde ele trabalhava na região central de São José. Fica agora a dúvida sobre o destino do veículo, que pode virar sucata.

“Ele podia ter tido mais ajuda de outras pessoas e de familiares. Ele era tio da jogadora Debinha, da Seleção Brasileira de futebol, mas não tinha muito contato. Ela também não tinha contato com ele. A vida dele era bem difícil”, afirmou Souza.

HERANÇA

Segundo a irmã do Lunático, Maria Benedita, 67 anos, ele tinha pouco contato com a família e era mais conhecido em São José do que em Brazópolis. Alguns objetos dele foram levados para a casa do pai, que tem 93 anos, mas a bicicleta ficou em São José.

“Quando ele veio a primeira vez e ficou internado aqui, meu genro foi a São José e trouxe um monte de peças dele com um caminhão. No último retorno dele a São José, no ano passado, ele levou algumas coisas de volta. A bicicleta ficou em São José”, disse Maria Benedita.

“Se tiver alguma coisa em São José pode ficar por aí mesmo. Não tem problema. As pessoas gostavam muito dele na cidade. A gente não vai fazer nada mesmo com os objetos. Ele era muito mais conhecido em São José do que aqui em Brazópolis.”