O ouvidor das polícias do estado de São Paulo, Claudio Aparecido da Silva, considera “grave o suficiente” para culminar com a perda do cargo a agressão de um policial militar a uma idosa de 70 anos no bairro Água Branca, na zona rural de Igaratá.
O caso ocorreu há uma semana e provocou o afastamento dos dois policiais que atenderam a ocorrência envolvendo a disputa de um terreno entre vizinhos.
A cena foi filmada e mostra um dos policiais dando um soco em Vilma de Oliveira, que reage a uma agressão contra um filho dela. Ela dá um tapa no policial militar, que levanta a cabeça, olha para ela e desfere um soco em seu rosto.
Com a força do murro, a mulher cai no chão. O policial leva a mão em direção à própria arma e diz: "Agora vou dar um tiro", mas recua e desiste de sacar a arma.
Para o ouvidor das polícias, a reação do policial demonstra despreparo e preocupa.
“É grave o suficiente para incorrer na decisão de perda do cargo. Não dá para passar pano. Percebe-se ali, especialmente o policial que agrediu, que houve bastante despreparado no trato da situação. Esperamos mais e que o policial tenha equilíbrio para conseguir lidar com a situação. Ele ainda ameaça sacar a arma. Delicada a situação”, disse Silva.
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INVESTIGAÇÃO
Além de afastar os policiais, a PM instaurou um IPM (Inquérito Policial Militar) que vai apurar todas as circunstâncias do ocorrido, incluindo a agressão contra a senhora. Igaratá pertence ao 41º BPMI (Batalhão de Polícia Militar do Interior), que tem sede em Jacareí.
Silva informou que a Ouvidoria instaurou um procedimento para acompanhar a apuração do caso e que vai seguir a ocorrência “até o final”. Ele também disse que está aberto a receber informações das vítimas da agressão.
“As medidas determinadas pela Corregedoria e pela PM são satisfatórias até o momento, determinando o afastamento dos dois policiais. Estamos abertos para receber informações caso as vítimas achem necessário trazer fato novo que ainda não está sendo considerado no decorrer da apuração. Vamos acompanhar até o final”, afirmou o ouvidor.
Silva disse também que o caso abre a discussão de como o policial foi preparado e que a Ouvidoria considera importante para aumentar o apoio da sociedade às polícias.
“É um debate importante para fazer, uma vez que percebemos baixo apoio da sociedade civil à atuação da polícia. Como queremos que a polícia seja legitimada pela população, é importante abrir debate sobre abordagem, treinamento e como lidar com a população em geral, para aproximar a polícia das pessoas da comunidade. Que a sociedade legitime mais a atividade policial e, a partir daí, que se construam caminhos de valorização”, afirmou Silva.