As regiões metropolitanas da RMVale e de Campinas tiveram resultados diferentes aos do estado de São Paulo na segurança pública, de acordo com os dados da SSP (Secretaria de Estado da Segurança Pública) referentes ao primeiro trimestre deste ano comparados a igual período de 2022.
Na RMVale, no geral, a criminalidade caiu no primeiro trimestre nos principais indicadores, com nove subindo e 14 em queda do total de 23 medidos pela SSP.
O principal resultado foi a redução de 14,7% no total de vítimas em homicídios, que caiu de 95 para 81.
As mortes em latrocínios caíram 33% (2 a 3). Os roubos em geral e o de veículos também estão em queda, com -7,8% e -25%, mas com aumento do furto de veículos (17,7%).
O que também aumentou no Vale foi o total de estupros (16,8%) e o estupro de vulnerável (24,7%), além da lesão corporal dolosa (13,7%).
As forças públicas de segurança tiveram maior atuação na RMVale em 2023, com alta em 10 indicadores que medem a produtividade policial e queda em três. Os destaques foram a maior apreensão de drogas (83%), de pessoas presas (10,7%) e de armas de fogo apreendidas (19%).
DESAFIO
Mesmo com o aumento da ação policial, a RMVale se mantém no topo da violência no estado e é o principal desafio para o governo Tarcísio de Freitas e Felício Ramuth.
Seis cidades da região lideram o ranking com a maior taxa de vítimas de homicídio por 100 mil habitantes.
Cruzeiro lidera com 32,57 vítimas de homicídio por 100 mil, seguida de Lorena (31,27), Caraguatatuba (27,59), Caçapava (24), Ubatuba (23,70) e Guaratinguetá (21,47).
Taubaté e Pindamonhangaba saíram do 'top 10' e estão no 16º e 17º lugar do ranking que tem as 100 maiores cidades do estado, respectivamente com taxa de 12,83 e 12,61. São Sebastião é a 20ª, com taxa de 12. Ou seja, entre os 20 municípios mais violentos do estado, nove estão no Vale.
OUTRO LADO
Procurada, a SSP disse que as forças de segurança realizam ações integradas visando a melhora dos índices criminais na RMVale. Segundo a pasta, o trabalho das polícias resultou na queda de 16% nos homicídios no primeiro trimestre.
"As ações investigativas da Polícia Civil, que conta com setores especializados em ocorrências de crimes contra a vida, como a Deic de São José e a de Taubaté, resultaram no esclarecimento de todos os casos de latrocínios ocorridos neste ano, na região, e de 65% dos crimes contra a vida. Em São José, o índice foi ainda maior: 85%."
Informou ainda que a Polícia Militar realiza ações específicas para intensificar o policiamento e combater a incidência de diversas modalidades criminais, como roubos e furtos. Entre elas estão a "Operação Impacto", "Operação Hércules Simultânea", "Operação Adaga", além de atuações cirúrgicas contra o crime organizado com emprego do 3º BAEP (Batalhão de Ações Especiais de Polícia).
"Nos três primeiros meses de 2023, a região alcançou uma redução de 26% nos roubos de veículos e de 54% nos roubos de carga. O número de prisões é 34% maior que no 1º trimestre do ano anterior."
CAMPINAS
Na RMC (Região Metropolitana de Campinas), a produtividade policial encerrou o primeiro trimestre com oito indicadores em crescimento e cinco em queda, na comparação com o mesmo intervalo no ano passado.
Aumentaram as ocorrências de apreensão de drogas (35,8%), prisões (5,5%) e de veículos recuperados (10%), mas caíram as de armas de fogo apreendidas (-21,5%) e de porte ilegal de armas (-31,6%).
Por outro lado, a criminalidade cresceu na RMC no primeiro trimestre. Dos 23 indicadores medidos pela SSP, 13 subiram e seis caíram, com quatro não registrando nenhuma ocorrência.
As vítimas em homicídios reduziram 9% (61 a 67), mas as mortes em latrocínios passaram de uma para cinco. O total de estupros cresceu 14% (310 a 272) e o furto de veículos subiu 2,5% (1.534 contra 1.496).
No ranking estadual da taxa de homicídios, as cidades de Paulínia e Campinas estão entre as 30 mais violentas. A primeira ocupa a 19ª posição, com taxa de 12,18, e a segunda está no 30ª lugar, com 9,38.