09 de julho de 2026
SEGURANÇA

Onda de ataques e boatos sobre massacres em escolas provoca reação do poder público

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 4 min
Divulgação / Claudio Vieira / PMSJC
Segurança nas escolas: Polícia Militar na escola estadual Major Miguel Naked, em São José

As escolas no alvo.

Templo do conhecimento e da interação humana por excelência, as escolas se tornaram ambientes de tensão e medo da violência nas últimas semanas.

O efeito colateral foi o reforço de uma rede de proteção às escolas e à comunidade escolar e o trabalho de profissionais das mais variadas formações tentando desarmar ‘bombas’ antes que explodam.

Dois ataques recentes provocaram medidas de segurança tomadas por municípios, pelo Estado e pelo governo federal.

No final de março, um garoto de 13 anos invadiu uma escola estadual na capital paulista e usou uma faca para matar uma professora e ferir outras quatro pessoas.

Ele era aluno do oitavo ano e foi desarmado por professoras, apreendido por policiais e levado para a delegacia, onde confessou o crime. Em seu depoimento, justificou o ataque por ter sido alvo de bullying em ao menos três escolas nas quais estudou.

Nove dias depois, um homem de 25 anos pulou o muro de uma creche particular em Blumenau (SC) e iniciou um ataque com uma machadinha. Quatro crianças morreram (idades entre 4 e 7 anos) e cinco ficaram feridas.

O suspeito tinha passagens por porte de drogas, lesão e dano, segundo a Polícia Civil, e dizia ter alucinações. À polícia, ele afirmou não se arrepender do crime.

Ambos os casos chocaram o Brasil e incentivaram uma onda de ameaças de massacres em escolas por todo o país, aumentando o clima de tensão.

Em São José dos Campos, a Polícia Civil apreendeu cinco adolescentes por postarem, nas redes sociais, ameaças de ataques a escolas. Um deles tinha 13 anos.

“Todos os adolescentes apreendidos pela nossa operação disseram que fizeram as postagens por brincadeira, para aparecer. Não há nenhum risco de atentado a escolas em São José. Os discursos são fake news”, afirmou Alexandre Pereira, chefe dos investigadores da Diju (Delegacia de Infância e Juventude) de São José.

Segundo ele, todos os que forem identificados propagando mensagens de ataques a escolas serão detidos pela polícia, que monitora as redes sociais.

“Estamos alertando os pais que serão apreendidos os adolescentes que fizeram postagens com fake news sobre ataques ou fazendo ameaças. Se for adolescente, vai para a Fundação Casa. Se for maior de idade postando sobre ataque, vai preso. Fica a lição.”

MEDIDAS

O efeito contrário foi o reforço das medidas de proteção às escolas no Vale do Paraíba e em todo o estado de São Paulo.

O governo estadual anunciou R$ 240 milhões para contratar 550 psicólogos, que atenderão presencialmente nas unidades, e 1.000 seguranças privados para atuar nas escolas estaduais.

A Secretaria de Estado da Segurança Pública vai criar um botão de acionamento prioritário para escolas, intensificar o policiamento e contratar policiais aposentados para coordenar o programa ‘Segurança Escolar’.

A Prefeitura de São José dos Campos também se mobilizou para reforçar a segurança nas escolas, que contam com botão de pânico interligado ao CSI (Centro de Segurança e Inteligência).

As unidades contam ainda com vigilantes de empresas particulares e reforço da GCM (Guarda Civil Municipal), além de câmeras internas e monitoramento na área externa.

Segundo o secretário de Proteção ao Cidadão, Bruno Henrique dos Santos, o botão de pânico fica na área interna das escolas e é usado para o “pronto atendimento da ocorrência pela GCM ou pelas demais forças de segurança, caso necessário”.

O botão pode ser acionado tanto pelos funcionários da escola quanto pelos agentes de segurança -- vigilante e GCM.

“O recurso de botão pânico está presente nas unidades públicas de ensino da rede municipal há muitos anos e oferece agilidade no atendimento de eventuais ocorrências uma vez que está interligado diretamente ao CSI, onde atuam em conjunto todas as forças de segurança do município”, disse Santos.

EDUCAÇÃO

A Secretaria de Educação e Cidadania de São José também se mobilizou para garantir a segurança da comunidade escolar, segundo o secretário Jhonis Santos.

“A união do poder público visa tranquilizar pais, responsáveis, profissionais da Educação e familiares para atuação em conjunto na prevenção, combate às fake news e reforço aos protocolos de segurança”, afirmou.

Segundo ele, em todas as regiões da cidade há o patrulhamento preventivo com as viaturas da Atividade Delegada da Polícia Militar e também pelo Programa de Ronda Escolar, no entorno das escolas estaduais.

“As ações de prevenção são constantes na rede de ensino, assim como o atendimento do Serviço Social e psicólogos nas escolas, em atuação com o Serviço de Orientação Educacional”, disse Santos.

CIDADES

Após convocar reunião com autoridades e órgãos do município para tratar de segurança nas escolas, a Prefeitura de Taubaté quer adotar um programa de paz nas unidades, por meio de ações conjuntas com as demais instituições.

“A prefeitura ressalta a importância da participação dos pais e responsáveis pelos alunos no acompanhamento da vida cotidiana de seus filhos, principalmente no que tange ao universo digital”, informou a administração.

O prefeito de Campinas, Dário Saadi (Republicanos), anunciou medidas de emergência para prevenir e combater a violência nas escolas. Todas as unidades de ensino municipais e privadas terão um número de telefone de acesso exclusivo e prioritário com a GMC (Guarda Municipal de Campinas).