O companheiro de Pinda.
Normalmente discreto e avesso a polêmicas, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) ganhou notoriedade extra no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Além de substituir o petista na presidência, o que deve fazer com frequência em razão das viagens internacionais de Lula, Alckmin acumula o cargo de ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Trata-se de área estratégia e vital para os planos do petista em retomar o crescimento do Brasil e gerar empregos, missão que Lula chamou de “obsessão” a partir de agora.
Nesse aspecto, Alckmin, que é natural de Pindamonhangaba e foi governador de São Paulo, lançou sua primeira medida de impacto: o relançamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial, criado em 2004, na primeira gestão de Lula, e há sete anos sem funcionar.
O órgão é ligado à presidência e será comandando por Alckmin, que terá a missão de “elaborar uma nova política industrial para o Brasil, de caráter inovador, sustentável, competitivo e com responsabilidade social”, como afirmou o ministério.
O colegiado será composto ainda por 20 ministérios e vai mirar da reindustrialização do país, como destacou Alckmin: “A indústria tem os melhores empregos, busca mão de obra qualificada e acelera o crescimento”.
Segundo o vice-presidente, o grupo vai definir uma política nacional de “neoindustrialização” para a retomada da indústria no país.
“Para construirmos uma indústria 4.0 que ajude o país a gerar empregos e retomar o caminho do crescimento, agregando valor e conhecimento à cadeia de produção, temos de dar prioridade para a digitalização, a sustentabilidade e a inovação”, afirmou Alckmin. “Isso tudo só será possível com o esforço conjunto e a participação da setor industrial”.
POLÍTICA
Alckmin é considerado a peça mais ‘moderada’ na engrenagem política de Lula, especialmente entre os ministérios mais importantes e o chamado ‘núcleo duro’ do governo.
Tanto que apenas ele e o ministro das Relações Institucionais Alexandre Padilha (PT) foram poupados até o momento de convites para comparecerem e comissões permanentes da Câmara dos deputados.
Nada menos do que 34 de 37 integrantes da equipe ministerial de Lula já foram convidados para comparecerem em reuniões de comissões ou para participar de audiências públicas. O ministro da Pesca, André de Paula, também vinha escapando, mas já há um requerimento aguardando aprovação para a participação dele na Câmara.
Esse ‘capital político’ de Alckmin é um dos trunfos de Lula para conseguir aprovar a reforma tributária, medida que o morador do Vale do Paraíba vem defendendo desde que liderou a equipe de transição para o novo governo.
Na terça-feira (4), durante jantar de lançamento da agenda legislativa da Frente Parlamentar por um Brasil Competitivo, Alckmin disse que os pré-requisitos para a retomada do crescimento serão preenchidos com a discussão da reforma tributária e a proposta de arcabouço fiscal apresentada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
“O câmbio está bom. O imposto, a reforma tributária vai melhorar. E os juros, com a nova âncora fiscal, vamos entrar no ritmo da redução”, disse Alckmin.
Segundo ele, há hoje no Congresso um ambiente para o avanço e aprovação da reforma tributária. “O presidente Lula é um entusiasta. E [Arthur] Lira e [Rodrigo] Pacheco estão comprometidos”, disse, referindo-se aos presidentes da Câmara e do Senado, respectivamente.