11 de julho de 2026
ENTREVISTA

Governador em exercício, Felicio faz balanço do mandato para ‘mudar a história de SP’

Por Xandu Alves | São Paulo
| Tempo de leitura: 7 min

Felicio Ramuth está no modo ‘acelerado’.

Adaptando a vida pessoal ao cargo de vice-governador de São Paulo, ele traça metas ousadas e quer levar experiências de São José dos Campos para o Estado, como as câmeras, observação de áreas de risco e administração enxuta.

Em conversa exclusiva com OVALE na última terça-feira (28), na condição de governador em exercício, ele falou sobre segurança na RMVale, mobilidade e reforma administrativa. “É necessário fazer essa reforma no Estado”, disse ele. Confira.

A RMVale terá um programa específico para a segurança?
Primeiro temos que fazer para depois pensar em marca ou programa. A Muralha Paulista, que a Agemvale está licitando, é o primeiro grande passo para o Vale. Ajudar com tecnologia as nossas forças de segurança. Há ações acontecendo, com o novo comandante do CPI e o novo delegado do Deinter. Então, esse grupo novo vai seguir os planos do [Guilherme] Derrite [secretário de Segurança Pública].

Como vai esse trabalho?

É a primeira vez nos últimos 30 anos que temos um secretário que é da Polícia Militar [Derrite] e um secretário-adjunto que é da Polícia Civil [delegado Nico Gonçalves]. Quando colocamos pessoas que são de campo, elas sabem como são as ações e operações. Os primeiros resultados estão aparecendo, mas vai melhorar.

Estamos trabalhando com determinação e teremos mais pela frente. Temos 1.700 em treinamento na PM, novos concursos e atuação que valoriza os policiais. Há proposta de aumento salarial dos profissionais na entrada da carreira. Há casos de policiais que reagem fora do serviço e, quando houver morte, vamos acreditar na sua correta conduta. Se apurado e mostrar que fez errado, será punido. Não afastaremos primeiro para depois apurar, como era antes. A presunção é da inocência agora.

Serão colocadas câmeras no Vale Histórico?

Sim, essa é a região mais violenta. A Agemvale vai fazer a licitação e tem que acontecer em abril. A característica nova da Agemvale vale comentar. Ela é mais executiva hoje, de ajudar os prefeitos, até pela ligação que o Theo [Sérgio Theodoro, diretor da Agemvale] tem comigo. A Secretaria de Urbanismo envolve a CDHU e a Habitação e tem mais resolutividade. Deixa de ser órgão político para ser de apoio aos prefeitos. Vamos sempre procurar nos aproximar dos prefeitos.

A recomendação é sair do gabinete?

Sim, para todos. E o exemplo vem do governador, que mostra que é um homem de campo e de se aproximar das pessoas.

O CSI de São José vai servir de referência para o Estado?

Sem dúvida. Começa na região central da capital, com 500 câmeras de segurança e surgiu pelo Derrite, que ajudou a fazer o plano de governo e visitou o CSI em São José e o próprio cinturão. É a integração de fato, como fizemos na São José Unida. Ajudaram na inspiração desse modelo.

O que tem sido feito na Cracolândia, uma de suas missões?

Temos reunião semanal no Centro de Informação e Controle juntamente com a prefeitura para falar de políticas a serem implantadas. As ações envolvem abordagem qualificada, oferta de leque de tratamento, integração das secretarias do Estado e da prefeitura e a sociedade civil. Parecido com o programa São José Unida de colocar todo mundo para conversar, como as igrejas e entidades, para remar todo mundo na mesma direção. Resolvi deixar um espaço no centro e, a partir do meio do ano, passo a atender de lá uma vez por semana, para estar mais próximo.

O sr. entregou casas no Vale nesta semana. Quantas moradias estão em obras?

São 40 mil em construção nesse momento. Algumas estão em andamento e a pior obra é a parada. Não vai ter obra parada. Entreguei em Cachoeira Paulista que estava parada há oito anos e no Potim, parada há 10 anos. E retomamos o Rodoanel que há 30 anos a população deseja. Vai ajudar muito o Vale. O Rodoanel Norte vai ser construído em três anos. Primeiro não deixar obra parada e fazer obras com mais inteligência para ter mais agilidade no serviço público.

Qual o déficit de habitação?

Esse é um número que não dá para fechar, porque cada cidade tem a sua metodologia. Não há uma fila na CDHU, porque essas demandas surgem nas cidades. Mas entreguei títulos em Campos do Jordão de casas da CDHU construídas há 20 e em São José, há 25 anos. Não dá para deixar isso acontecer. De entregar um conjunto habitacional e só depois de 20 anos entregar o título da propriedade. Temos 16 mil documentos a serem entregues de unidades da CDHU atrasadas. Vamos zerar essa fila e fazer com que o documento seja entregue rapidamente.

Áreas de risco: estado vai mapear melhor?

Essa tragédia de São Sebastião tem que deixar um legado. Queremos implementar ferramentas de monitoramento para evitar a construção de moradias em áreas irregulares, inspirada no nosso Observa de São José. Um novo sistema de alarme que a Defesa Civil está estudando e a compra de dois novos radares meteorológicos. Tem até empresa de São José que deve entrar na concorrência e que tem um radar no Parque Tecnológico, utilizado pelo Cemaden. São várias ações para evitar que novas tragédias aconteçam, algumas de médio e outras de longo prazo.

Qual a perspectiva para o crescimento econômico?

Mexer as alavancas para o desenvolvimento. Governador anunciou redução de ICMS em 11 setores e vamos continuar estudando isso. Simplificar e desburocratizar a vida do empreendedor. Vamos simplificar a vida do empreendedor, com oferta de crédito para mulheres, Desenvolve SP, mudanças no Banco do Povo para simplificar o acesso. Também teremos qualificação porque há setores com falta de mão de obra. O Jovem Aprendiz Paulista quer dar oportunidade aos jovens. Também a devolução dos créditos de ICMS para grandes empresas. Com essas ações, a economia paulista ficará cada vez mais forte.

A briga política entre São Paulo e governo federal vai acabar?

Não vai ter mais isso. Agora no estado você pode pagar as multas com 40% de desconto. Já tínhamos isso em São José porque havíamos assinado convênio com o governo federal, mas aqui não tinha. Outra é o Gov.br que é o sistema que assinamos o convênio com o governo federal, que também não tinha, além do sistema de monitoramento de foragidos Córtex, que São José tinha e o Estado não, por brigas políticas. Isso acabou.

Governo vai fazer uma reforma administrativa?

A reforma administrativa é mais importante para nós. Estamos preparando uma dentro da legalidade do que é permitido hoje. Enxugar cargos, entender melhor a remuneração de cada cargo, unir cargos e cortar comissionados. A reforma administrativa seria importante também para o governo federal, antes da tributária. O Geraldo [Alckmin] falou que a fatia está garantida para os municípios. Será? Acho que quem vai pagar a conte será mais uma vez o empreendedor, com aumento de impostos. Defendemos a simplificação da reforma tributária, com garantia que os impostos serão menores.

Espera reação forte das categorias com a reforma em SP?

Existem elementos políticos em tudo isso. Vimos na greve dos metroviários essa questão para desgastar o governador. Mas foi resolvido. Isso pode voltar a acontecer ao longo dos quatro anos, mas entendemos que é necessário fazer uma reforma administrativa que vai envolver, no primeiro momento, um novo regramento dos cargos comissionados.

O Trem Intercidades vai sair? E o trecho do Vale?

Vai sair o primeiro trecho, entre São Paulo e Campinas. A publicação do edital até o meio do ano e vencedor até o final do ano. É obra de 5 a 8 anos. São R$ 8 bilhões em investimentos do Estado, num total de R$ 12 bilhões. Quando publicar o edital, é natural que aconteça uma redução.

Os trechos entre São Paulo e São José e a capital e Sorocaba faremos os estudos sem compromisso de entrega, vamos alinhar as expectativas. Contratar os estudos, ver se para em pé, os investimentos necessários.

Para a estratégia do Estado é fundamental incentivar o transporte coletivo nas cidades, como o investimento que teremos na fase 2 da Linha Verde em São José, assim como em outros corredores de mobilidade nas cidades, principalmente ente na RM SP, com a expansão do Metrô para São Bernardo do Campos e Guarulhos e a volta do trem de média velocidade, além de reativação de malhas ociosas no interior do estado.