Na última terça-feira (21), um dos maiores festivais de música, o Lollapalooza, foi flagrado submetendo trabalhadores a condições análogas à escravidão. Apesar de ser um festival multimilionário, que envolve atrações de renomados artistas nacionais e internacionais, foram resgatados cinco profissionais que atuavam na preparação do evento.
Segundo informações, os resgatados trabalhavam como carregadores de bebidas em jornadas de 12 horas diárias. “Depois de levar engradados e caixas pra lá e pra cá, a gente ainda era obrigado pela chefia a ficar na tenda de depósito, dormindo em cima de papelão e dos paletes, para vigiar a carga”, relatou um dos trabalhadores. Todos os funcionários trabalhavam na informalidade, ou seja, sem seus devidos registros trabalhistas, como pede a lei.
“Com idade entre 22 e 29 anos, eles não tinham dignidade alguma, dormiam dentro de uma tenda de lona aberta e se acomodavam no chão. Não recebiam papel higiênico, colchão, equipamento de proteção, nada”, relatou o auditor fiscal do Trabalho que participou da operação de resgate dos trabalhadores. Os funcionários prestavam serviços para uma empresa terceirizada, que foi contratada pela empresa dona do festival no Brasil. De acordo com informações disponíveis no site da empresa organizadora do evento, eles dizem “respeitar os Direitos Humanos” e ainda afirmam garantir “um ambiente de trabalho diverso, acolhedor”.
Após o resgate, as empresas foram obrigadas a ressarcir cada um dos trabalhadores com aproximadamente R$ 10 mil pelos salários devidos, verbas rescisórias e horas extras. O valor ainda pode aumentar, caso o Ministério Público do Trabalho entre com um pedido de verbas indenizatórias.
O Lollapalooza terá início a partir desta sexta-feira (24) indo até domingo (26), e acontecerá no autódromo de Interlagos, localizado na zona sul de São Paulo. Dentre as atrações deste ano estão grandes nomes da música internacional, como Billie Eilish, Lil Nas X e Drake. Na edição do ano passado, o festival movimentou mais de R$ 400 milhões.