O julgamento do assassinato de Valter Rodrigues Moreira, corretor de imóveis morto em 2019, em São José dos Campos, foi marcado por uma reviravolta. O homem que havia confessado atirar contra a vítima de 62 anos, condenado a 10 anos, afirmou em júri que não foi o responsável pela morte de Valter, mas teria presenciado o crime.
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Preso há quatro anos ao dizer que teria assassinado Valter por ter caído em um golpe relacionado à moeda virtual Bitcoin, o réu mudou sua versão durante o julgamento acontecido nesta terça-feira (28). Em seu depoimento, ele disse que não conhecia Valter e que, no dia do crime, foi para a casa que estava para locação para que o corretor pudesse lhe mostrar o imóvel.
Contudo, já no imóvel com Valter, ele conta que uma terceira pessoa saiu de um dos cômodos da casa e atirou contra a vítima. Ele saiu do local em seguida e, em depoimento na delegacia, confessou a autoria do crime porque vinha sendo ameaçado pelo suposto verdadeiro assassino. O jovem alegou que foi até o imóvel porque estava interessado em aluga-lo, e que havia salvado o contato de Valter em seu telefone para tratar desse assunto.
No julgamento, o homem que na época do crime tinha 23 anos, foi absolvido e hoje está livre. "Reparamos uma injustiça que havia sido feita. Uma confissão não basta para solucionar um crime", afirma Fábio Pereira do Nascimento, advogado de defesa do caso.
A denúncia contra o homem foi apresentada pelo Ministério Público. A reportagem entrou em contato com a assessoria do órgão, questionando se a promotoria vai recorrer da decisão, mas não obteve resposta até o fechamento da matéria.
RELEMBRE O CRIME.
Valter Rodrigues foi morto no dia 27 de fevereiro de 2019. Seu corpo foi encontrado com marcas de tiros de arma de fogo dentro de um imóvel que estava oferecendo para aluguel na rua Siqueira Campos, na zona central da cidade.
Após 20 dias, um jovem de 23 anos foi identificado pela polícia como suspeito. Na casa dele, que ficava na mesma rua do imóvel onde aconteceu o assassinato, foi encontrada uma arma. Contudo, após exame balístico para confirmar se a arma teria sido usada no crime, o resultado foi inconclusivo.
Em depoimento à polícia, o jovem disse que matou Valter por conta de um golpe relacionado a venda de Bitcoins. Já na época, a polícia contestava a versão do homem, porque não havia evidências que ele seria o autor do crime.
No primeiro júri, ele foi condenado a 10 anos de prisão por homicídio simples. O MP (Ministério Público) contestou o resultado e um novo julgamento foi marcado para que fossem analisadas qualificadoras para o crime. Nesta terça (28), o réu foi absolvido.