Nesta semana, o OVALE conversou com exclusividade com Diego Gordiano de Carvalho, filho do fazendeiro Bento Gordiano, de 75 anos, e que foi morto por um ex-funcionário no dia 17 de fevereiro, na fazenda do filho, em Lagoinha. Na ocasião, a irmã de Diego, de 11 anos, também foi sequestrada e violentada sexualmente pelo criminoso, Edcarlos de Oliveira Rocha, de 50 anos.
Diego Gordiano recebeu a reportagem na tarde desta terça-feira (28), em São Luiz do Paraitinga. Ele estava acompanhado do advogado que o defende, Flávio Bonafé, que trabalha no processo junto com o filho, Leonardo. A reportagem quis saber detalhes de como foram as buscas ao criminoso na fazenda da família e também o desfecho do caso, que resultou no ferimento por arma de fogo de Edcarlos.
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O uso da arma de fogo aconteceu na propriedade do filho do fazendeiro e mesmo tendo a documentação para portá-la, ele foi preso em flagrante, visto que o delegado não reconheceu o porte de arma. Diego é CAC (Atirador Esportivo) há 10 anos e apresentou toda a documentação requerida no dia do depoimento na delegacia. Ele teve a prisão decretada e só foi solto porque pagou fiança de um salário mínimo e vai responder em liberdade. Diego conta que agiu em legítima defesa, uma vez que o procurado pela justiça foi para cima dele com uma faca, obrigando-o a atirar, sob o risco de ser mais uma vítima fatal do assassino. Veja na sequência a entrevista com Diego Gordiano de Carvalho.
OVALE: Qual é o panorama que o senhor pode nos dar a respeito do que ocorreu na fazenda do seu pai?
Diego Gordiano: A gente estava muito apreensivo desde o dia em que o fato aconteceu. Essa angústia de não ter pistas durante uma semana, de onde o indivíduo estava, o que tinha acontecido, o porquê do motivo (do crime) e a gente sempre andando em duas ou três pessoas, pelo menos, nunca sozinho. Não dormia à noite com pensamento de que ele poderia aparecer a qualquer momento para matar mais alguém ou se iria acabar naquilo mesmo
OVALE: Como foram as buscas nestes oito dias, principalmente, da parte daqueles próximos ao seu pai?
DG: Nesses oito dias, eu fui praticamente todos os dias à fazenda. Eu tinha um sentimento que ele
OVALE: Como vocês acharam o suspeito?
DG: No sábado (18), na parte da tarde, eu estava indo para o clube de tiro para resolver uma parte de documentação e aproveitar para treinar. Quando eu estava no caminho me ligaram e disseram que o pessoal de moto estava fazendo trilha e reconheceram ele (suspeito) no alto, no meio da trilha, que passa na divisa com minha fazenda.
OVALE: Quando o senhor foi avisado e como foram os acontecimentos?
DG: Um colega me avisou que tinham postado no grupo de trilha e aí, imediatamente, eu voltei e passei aqui no Batalhão da Polícia Militar de São Luiz e a equipe foi comigo até o local. Eu já conhecia lá por eu fazer trilha naquele local também. E chegando lá, local de difícil acesso, não tinha como chegar de carro, apenas a pé ou de moto. A gente subiu uma parte a pé e o pessoal da moto desceu para dar um apoio para gente e levou a gente até lá no alto do morro, onde ele se encontrava.
OVALE: O momento em que ele te ameaçou e aconteceu a sua reação em legítima defesa foi ainda em cima do morro?
DG: Sim. Ele escapou das pessoas das motos, que estavam tentando cercar ele. Ele correu para dentro da fazenda, na parte dos fundos. A PM ficou procurando ele, na parte onde tinha o matagal amassado, evidenciando que ele já estava lá na região, e foi quando a equipe das motos estava subindo e avistou ele lá embaixo na fazenda e começou a gritar. O pessoal da Polícia Militar estava lá no meio do mato ainda e foi quando eu corri para tentar ganhar tempo até os policiais chegarem ao local.
OVALE: Foi neste momento que ele pegou a faca e partiu para cima do senhor?
DG: Sim, tentei conversar com ele, perguntar o que tinha acontecido, por que ele tinha feito isso? Mas ele não conversou, já retirou a faca que estava na cintura e veio para cima de mim.
OVALE: E o que o senhor fez?
DG: Eu estava com o meu psicológico bem abalado, mas eu estava centrado. Então, eu dei um tiro para cima e pedi para ele parar, mas ele não parou, continuo vindo em minha direção. E eu fui obrigado a alvejar na região do ombro para pegar ele ainda com vida
OVALE: O senhor foi preso, pagou fiança, está em liberdade pela falta do porte de arma, segundo a polícia Civil. Se o senhor quisesse, o senhor o teria matado?
DG: Sim, com certeza. Sou há 10 anos atirador esportivo. Se eu quisesse ter matado ele na hora, eu tinha matado. Tanto que eu fiquei com ele lá alvejado até a Polícia Militar chegar e segurei ele lá, não fiz nada, não tentei matá-lo, nem nada.
OVALE: Depois que ele foi atingido não houve mais reação?
DG: Não houve reação. Logo que foi atingido, ele caiu e a gente abordou e seguramos no lugar.
OVALE: Como está o psicológico depois dos acontecimentos, da morte do seu pai e do estupro da irmã?
DG: Fica a tristeza né? Por conta do assassinato do meu pai. Minha irmãzinha ainda está em choque, muito abalada. Tem o sentimento de alegria, por eu mesmo ter pego o assassino do meu pai. Um certo orgulho por isso, mas, ao mesmo tempo, uma revolta pelo acontecido final. Fui preso, tive que pagar fiança, fui extremamente maltratado na delegacia, fui questionado a respeito dos meus documentos. Tenho licenças, tenho todas as documentações em dia e mesmo assim fui questionado. O delegado me questionou quanto à veracidade dos meus documentos. Fique lá por 12 horas, praticamente, sem motivos, sem necessidade, acredito eu. Atirei nele dentro da minha própria casa, da minha fazenda, então fica essa revolta, essa indignação, nessa parte. Apesar de ter sofrido toda essa semana ainda tive que passar por esse constrangimento.
OVALE: O senhor tinha conhecimento de uma dívida trabalhista do seu pai com o assassino, o que teria gerado os crimes?
DG: Não tinha conhecimento sobre este fato. Segundo a própria esposa do meu pai, ele saiu de livre espontânea vontade, saiu feliz e não tem como eu falar sobre a questão.
OVALE: Seu pai o conheceu em Santos, quando ele era morador de rua?
DG: Meu pai tinha esse costume. Ele fazia amizades com os moradores de rua lá no porto, onde ele trabalhava e ele gostava de ajudar as pessoas e sempre trazia para fazenda para trabalhar, para tirar da rua e tentar ajudar. Essa foi uma coisa que ele sempre fez.
OVALE: O que você espera do julgamento do criminoso?
DG: Que ele pague em vida, que é o que sempre quis. Que ele fique o resto da vida de dentro da cadeia.
OVALE: O senhor perdoa o criminoso?
DG: De maneira alguma. A brutalidade que foi o assassinato do meu pai, a brutalidade do que ele fez com minha irmã não tem como perdoar.