Após uma polêmica ocorrida na semana passada, o prefeito de Taubaté, José Saud (MDB), retirou da Câmara o projeto de sua própria autoria que criaria o Compir (Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial).
Proposto em maio de 2022, o conselho teria o objetivo de auxiliar na formulação de políticas orientadas a "garantir à população negra a efetivação da igualdade de oportunidades, defesa dos direitos individuais, coletivos e difusos, o combate à discriminação e outras formas de intolerância racial (notadamente o racismo estrutural) e a desigualdade de gênero e raça".
Na mensagem enviada à Câmara, Saud alegou que a medida foi tomada "tendo em vista a necessidade de reexame da matéria". Com o mesmo argumento, o prefeito também retirou da Casa outros três projetos de sua autoria: o que criaria o Comdim (Conselho Municipal dos Direitos da Mulher), o que alteraria a composição do Comjuv (Conselho Municipal da Juventude) e o que estabeleceria regras gerais para a composição de todos os conselhos municipais.
POLÊMICA.
Na semana passada, a vereadora Talita Cadeirante (PSB) chegou a solicitar que o presidente da Câmara, Alberto Barreto (PRTB), incluísse na pauta para votação o projeto do Compir. Barreto, no entanto, rejeitou o pedido, sob a alegação de que apenas o líder do governo - no caso, o vereador Richardson da Padaria (União) - poderia solicitar a inclusão de propostas de autoria do prefeito na ordem do dia.
Após rejeitar o pedido, Barreto ainda fez críticas ao projeto. "O projeto previa 50% das vagas do conselho ocupadas por negros, e os outros 50% divididos entre as outras raças. Isso é igualdade ou supremacia de uma raça sobre as demais?", afirmou o presidente da Câmara. "A ideologia esquerdista vem há tempos colocando uns contra os outros, sempre colocando um alvo como inimigo, malvado. Nós, conservadores, lutamos contra esta diferenciação de seres humanos, e enquanto não aceitarem tratarmos todos como iguais, vamos entrar cada vez num mundo mais caótico e sem respeito", completou Barreto.
Após as declarações, Barreto foi alvo de críticas de integrantes do Fórum de Igualdade Racial de Taubaté, que classificaram como racistas as declarações do presidente da Câmara. Nessa terça-feira, o Legislativo aprovou uma moção de repúdio "ao teor das palavras e mensagens" contra o vereador - apenas as vereadoras Talita Cadeirante e Elisa Representa Taubaté (Cidadania) votaram contra a moção.