11 de julho de 2026
EVENTO EXTREMO

‘Com aquecimento, fenômenos do litoral serão brincadeira perto do futuro’, diz Nobre

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação / Luiz Roberto Moreira
Carlos Nobre: 'Todo tipo de evento extremo já está acontecendo no país'

Não é de hoje que o climatologista Carlos Nobre alerta sobre a ocorrência de desastres ambientais no Brasil que, segundo ele, serão cada vez mais frequentes e graves, em razão das mudanças climáticas.

Fenômenos "anormais" como a tempestade em São Sebastião serão cada vez mais regulares e intensos.

"Em 2023 teremos recorde de emissões. Se continuarmos aquecendo, os fenômenos do Litoral Norte serão brincadeira perto do futuro", disse Nobre. Confira.

Tempestade como a que devastou São Sebastião será mais frequente no Brasil?
Todo tipo de evento extremo já está acontecendo no país. No Litoral Norte, recordes de chuvas, com 600 mm em partes do litoral e 400 mm em quase todos os municípios. Aumento do nível do mar, que ficou dois metros mais alto. São fenômenos que tendem a aumentar. Inúmeros outros também tendem a se manifestar. No Brasil, começamos a perceber aumento de 50% nos eventos extremos de todos os tipos em comparação com meados do século passado. E isso pode piorar.

Qual o motivo?
A explicação científica é o aquecimento global. A temperatura global já subiu quase 1,2ºC desde o século 19, e 80% desse crescimento se deu desde a década de 1960. O aquecimento global não provoca apenas o aumento na frequência desses eventos, mas também o impacto provocado por eles. Tivemos agora as maiores chuvas já observadas no Sudeste do Brasil em 24 horas. Isso tem tudo a ver com as mudanças climáticas. Em 2023 teremos recorde de emissões. Se continuarmos aquecendo, os fenômenos do Litoral Norte serão brincadeira perto do futuro.

O que fazer?
É fundamental o Brasil e o mundo alcançarem as metas do Acordo de Paris para não deixar a temperatura subir acima de 1,5ºC. Quando isso acontecer, teremos muito mais eventos extremos. Esse é o maior desafio que a humanidade já enfrentou: reduzir pela metade as emissões até 2030 e zerar as emissões até meados do século.