10 de julho de 2026
CONFLITO

Brasil faz proposta de cessar-fogo e tenta intermediar diálogo entre Rússia e Ucrânia

Por Da redação | São José dos Campos
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Divulgação
Guerra na Ucrânia

Após a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como presidente do Brasil, o país passou a tentar intermediar um acordo de cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia, em guerra há um ano. Lula tem feito sugestões com o objetivo abrir um diálogo entre os dois países sobre o fim da guerra.

Nesta sexta-feira (24), data em que o conflito faz um ano, Lula se posicionou nas redes sociais. Por meio de sua conta no Twitter, o presidente voltou a defender a negociação para cessar o conflito.

"No momento em que a humanidade, com tantos desafios, precisa de paz, completa-se um ano da guerra entre a Rússia e a Ucrânia. É urgente que um grupo de países, não envolvidos no conflito, assuma a responsabilidade de encaminhar uma negociação para restabelecer a paz" escreveu Lula.

Segundo informações do vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Mikhail Galuzin, Putin está analisando as sugestões feitas por Lula. Galuzin declarou à agência de notícias russa Tass que o governo russo analisa as propostas brasileiras para pôr fim à guerra. O vice-chanceler russo ainda ressaltou o fato de o Brasil não fornecer armas e munições à Ucrânia, o que teria colocado o Brasil na posição de mediador em potencial da questão.

“Levamos em conta as declarações do presidente do Brasil sobre uma possível mediação, a fim de encontrar caminhos políticos para evitar a escalada na Ucrânia, corrigindo erros de cálculo no campo da segurança internacional com base no multilateralismo e considerando os interesses de todas as partes", disse Galuzin.

Na avaliação de Roberto Goulart Menezes , professor do Instituto de Relações Internacionais da UnB (Universidade de Brasília), o governo Lula adotou posição de condenação do conflito, mas mantendo “equidistância, exatamente para defender [a instituição de] um clube da paz”.

“O que Lula está defendendo não é um voluntarismo do Brasil, mas que a diplomacia volte ao primeiro plano nesse conflito. E que, pela via diplomática, envolvendo países como Índia, Turquia, México, Indonésia e China, tenhamos pelo menos a possibilidade de abrir uma mesa de negociação entre Rússia e Ucrânia”, afirmou.

Menezes diz acreditar que o Brasil possa, de fato, ter um papel que vá além de mediador, “podendo contribuir, enquanto potência média, para, pelo menos, tentar equalizar alguns pontos, tanto da Rússia quanto da Ucrânia”, com a ajuda do grupo.

Ele lembrou que o Brasil optou por não enviar armamentos. “Isso mostra a posição do país, até este momento diplomático, de reiterar aquilo que fez em 1991 na Guerra do Golfo, quando o então presidente Fernando Collor manifestou posição contrária à guerra. Em 2003, na Guerra do Iraque, e agora, no atual conflito, Lula adotou a mesma posição”, complementou.