10 de julho de 2026
DESASTRES

De desastre em desastre, Brasil segue sem políticas públicas para evitar novas tragédias

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação / Governo de SP
Cenário de devastação em São Sebastião

Nos últimos dois anos, o Brasil acompanhou quatro desastres naturais causados por eventos climáticos extremos. Eles deixaram um saldo de 170 mortes, 518 feridos e 30 mil desabrigados.

Fora dessa lista, uma das maiores devastações foi registrada em São Sebastião, no Litoral Norte, região em que o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) registrou 683 milímetros de chuva no acumulado de 24 horas.

Foi a maior precipitação já registrada no país, segundo o Cemaden. O saldo até sexta-feira (24) era de 54 mortes, sendo 53 em São Sebastião e uma em Ubatuba.

Antes de São Sebastião, as tragédias provocadas por chuvas intensas ocorreram nos estados de Santa Catarina, Bahia, Rio de Janeiro (Petrópolis) e em São Paulo, na região de Franco da Rocha.

Retrocedendo um pouco mais, em 2011, chuvas na Região Serrana do Rio de Janeiro provocaram 900 pessoas, novamente em Petrópolis.

O Vale do Paraíba também entra nesse histórico. Em 1967, mais de 400 pessoas morreram e 3.000 ficaram desabrigadas em Caraguatatuba, num dos maiores desastres naturais do país. Na época, tempestades provocaram enchentes e deslizamentos.

Levantamento da CNM (Confederação Nacional de Municípios) aponta que o país acumula R$ 341 bilhões em prejuízos causados por desastres naturais, entre 2013 e 2022. Foram 53.960 ocorrências no período, em 93% das cidades brasileiras.

Porém, quais medidas efetivas foram tomadas para evitar mortes de pessoas em áreas de risco em desastres dessa magnitude? Quais ações foram realizadas para capacitar o Brasil a atender, com rapidez e eficiência, as vítimas dessas tragédias?

“O Brasil fez um plano nacional de gestão de risco e respostas a desastres em 2012 e, quando veio a crise econômica e política, esse plano foi esquecido e relegado. Esse plano deixou de existir a partir de 2016”, disse Osvaldo Moraes, diretor do Cemaden.

Segundo ele, o órgão está no topo da escala mundial em termos de tecnologia, equipamentos, ciência e recursos humanos para monitorar e emitir alertas de eventos extremos. O que falha é a política.

“Pela metodologia e ciência que o Brasil criou para fazer monitoramento de eventos que podem levar a desastres, a tecnologia que usamos e os recursos humanos que existem aqui, o Cemaden é um exemplo para todo o mundo. As falhas estão em outras esferas”, afirmou Moraes.

Faltam ações de política pública nas três esferas governamentais: federal, estadual e municipal, além dos parlamentos. O país vai de desastre em desastre sem tomar medidas efetivas para combater o problema, especialmente desocupar áreas de risco.

A pergunta é: era possível reduzir o impacto da tempestade na população de São Sebastião? A ciência e o Ministério Público acham que sim. O MP vai investigar.

E o Cemaden, segundo Moraes, emitiu o alerta de precipitação intensa no Litoral Norte já na quinta-feira (16). No sábado, alertou diretamente os municípios.