Na metade do primeiro mandato, o prefeito de Taubaté, José Saud (MDB), disse que a pandemia atrapalhou seus planos, como o de economizar nos primeiros meses, e que fez da saúde a prioridade, área que ele disse ter melhorado.
“Nenhum prefeito na história de Taubaté enfrentou o que eu enfrentei: uma pandemia. E investimos muito na saúde”, afirmou.
Sobre as denúncias do Ministério Público em ações de improbidade, Saud disse que não fez nada de errado e que enfrenta a questão “com a cabeça erguida”. Confira.
Que balanço o senhor faz destes dois anos de mandato?
Foram anos difíceis. E você pode dizer: mas quando o senhor se candidatou não sabia das dificuldades? E eu respondo, não. Nenhum prefeito na história de Taubaté enfrentou o que eu enfrentei: uma pandemia que paralisou o mundo. E esse fator foi determinante para o balanço que podemos fazer agora. Veja só: tivemos que fazer um esforço enorme para salvar vidas e conseguimos.
Taubaté é uma das cidades no Brasil que tiveram o menor índice de mortes por Covid-19. A pandemia também afetou a economia da cidade. Como prefeito, entendo que se a economia vai bem, a cidade anda, porque o dinheiro ajuda a melhorar os investimentos, gera emprego, renda, e isso ajuda a vida das famílias e alivia a sobrecarga por serviços públicos. Mesmo assim, caminhamos e posso afirmar que o nosso balanço é positivo.
Quais foram os maiores feitos? E os desafios?
Primeiro salvando vidas na pandemia. Investimos muito na saúde. Hoje, os nossos equipamentos de saúde, como as UPAs e as UBSs estão bem estruturadas e conseguem fazer um atendimento de excelência. Fizemos os mutirões de catarata, fisioterapia e urologia. Nos esforçamos para agilizar a entrega do AME e do Lucy Montoro. Ou seja, a nossa grande marca está na saúde. Criamos o primeiro hospital veterinário público do Vale do Paraíba.
Mas todas as áreas nós cuidamos, como a educação, assistência social, desenvolvimento econômico, entre outras. Fizemos uma reestruturação administrativa acabando com a burocracia de papel. Hoje a prefeitura funciona sem papel. Os documentos são encaminhados digitalmente e isso facilitou muito na agilização dos serviços públicos. Podemos também destacar o Mesa de Taubaté, o maior programa de segurança alimentar da história de Taubaté.
Somos líderes no Vale do Paraíba na geração de emprego, segundo o CAGED. E, comparando a evolução desde 2011 em Taubaté, demos um salto com novos empregos na cidade. E, o que me deu maior prazer foi entregar mais de 1.400 escrituras para as famílias que viviam a instabilidade de não ter o documento de propriedade em mãos. E continuamos avançando nesse projeto.
O que ainda não deu para fazer, mas pretende fazê-lo até o fim do mandato?
A nova sede da prefeitura. Isso porque queremos ter no mesmo local as 19 secretarias, facilitando o acesso do cidadão aos serviços públicos. Estamos avançando nessa direção. Criar uma maternidade para que os nossos taubateaninhos possam nascer aqui. E, fundamentalmente, entregar uma cidade mais organizada para as próximas gerações.
Uma das promessas de campanha era a de economizar R$ 30 milhões no começo do governo. Conseguiu?
Eu devolvo essa pergunta pra vc: como economizar num ambiente de pandemia? Alguém poderia prever essa questão? Priorizei salvar vidas e por isso não foi possível.
Taubaté teve redução no número de vítimas de homicídio em 2022 comparado a 2021, mas aumentaram os crimes contra o patrimônio, como roubo em geral, roubo de veículos e furto, o que causa insegurança. O que fazer? O senhor está satisfeito com a gestão municipal de Segurança Pública?
A responsabilidade pela segurança pública é do Governo do Estado. O Vale do Paraíba é um corredor natural da criminalidade que trafega na Via Dutra. Temos apoiado as ações da Polícia Militar, a Guarda Civil Municipal desenvolve ações que liberam a PM para o policiamento ostensivo e temos trabalhado junto ao Governo do Estado para melhorar a sensação de segurança no município. Fechamos o cinturão de monitoramento de toda a cidade com CGI (Centro de Gestão Integrada). Temos câmeras em todas as entradas e saídas do município e isso tem ajudado no combate à criminalidade.
No fim do ano foram promovidas algumas mudanças no trânsito na região da Avenida Nove de Julho. Agora que as aulas já voltaram, qual é a avaliação dessas alterações? Deram certo ou vai precisar repensar algo?
Isso foi espetacular! Completamos um projeto que ficou pela metade. Mas continuamos com gargalos decorrentes do número de veículos que trafegam em nossas vias e que sobrecarregam o tráfego. O nosso sistema viário não foi feito para a quantidade de automóveis que temos hoje. Mas melhorou muito.
As aulas foram retomadas na rede municipal no início do mês, mas ainda não há nenhuma previsão de quando as crianças vão receber o material escolar. A Prefeitura falhou nesse processo?
Claramente houve falha. Não sou dos políticos que não assume seus erros. A Secretaria de Educação tentou por duas vezes licitar e tivemos problemas com o Tribunal de Contas. Mas eu não fico olhando para os erros. Estou cobrando uma solução ágil para o problema que estamos enfrentando e a Secretaria de Educação montou um projeto emergencial para não deixar as crianças sem o material essencial para que possam assistir as aulas.
No ano passado, o senhor foi denunciado pelo Ministério Público em duas ações de improbidade, que apontam irregularidades nas terceirizações da saúde. O senhor teve os sigilos quebrados pela Justiça e ainda terá que enfrentar uma CPI sobre esse tema. Como pretende enfrentar isso?
Com a cabeça erguida de quem não fez nada de errado.
O MP chegou a pedir o afastamento do senhor do cargo. Como avalia esse pedido e o que ele lhe causou como prefeito?
É preciso respeitar as instituições e o MP está no seu papel. Mas a Justiça entendeu que essa ação extrema não se justificava.
Tem um projeto do senhor na Câmara que faz a revisão da planta genérica. Ele resultaria em um aumento médio de IPTU de 92% - esse aumento seria de 36% a 673%, dependendo do bairro. Como convencer a população de que essa medida é necessária?
Esse é um projeto de justiça social. Vocês da mídia só olham o aspecto que aparentemente é negativo e a sua pergunta revela isso, mas com a nova planta genérica mais de 9 mil residências ficarão isentas de IPTU. Não é possível cobrar o mesmo valor baseado na testada. Quem mora no Condomínio Village, o condomínio mais requintado da cidade, paga o mesmo que um morador do Três Marias. É isso que estamos corrigindo. É preciso coragem política para tocar em temas sensíveis, mas ele é necessário para o futuro de Taubaté.
Desde o primeiro ano do governo, o senhor tem tentado fazer a revisão dos imóveis tombados em Taubaté. Tentou fazer isso pelo conselho municipal e não conseguiu. Agora, está revendo decreto por decreto. Por que o senhor acha que isso é tão necessário?
Esse é um trabalho da Procuradoria Jurídica que entendeu que existe um erro de constitucionalidade na lei municipal de tombamento.
As chuvas provocaram transtornos em Taubaté, assim como em outras cidades da região. O que a prefeitura vai fazer diante desse problema?
Nosso grande problema é com o subsolo. Nós temos mais de 30 km de rios canalizados com tubos armcos. Esses tubos já perderam sua validade há pelo menos 15 anos e nenhum governo fez nada. Hoje, estou trabalhando para recuperar essas canalizações utilizando tecnologia de ponta. Mas é importante observar que há muito tempo não temos tanta chuva no país. A Serra das Araras ficou interditada, a Rodovia Oswaldo Cruz também, todas as cidades enfrentaram e ainda enfrentam problemas, mas vocês da imprensa só falam de Taubaté. Estamos trabalhando para resolver todos os problemas provocados pelas chuvas.
O senhor pretende disputar a reeleição?
Não decidi ainda. Vou ouvir minha família antes de tomar uma decisão. Meus familiares são o maior patrimônio que tenho e a política com suas disputas acabam trazendo sofrimento para os entes queridos.
Como quer ver Taubaté ao final do mandato, em 2024?
Uma cidade preparada para os seus 400 anos, que ocorre daqui a 33 anos. Parece muito tempo, mas não é. Precisamos modernizar a administração pública e os equipamentos urbanos. Precisamos olhar para o futuro e cuidar da nossa economia, fazendo o dinheiro girar na cidade. Tenho certeza de que teremos uma cidade melhor para se viver em dezembro de 2024.