Embora o governo José Saud (MDB) tenha defendido em 2022 que o aniversário correto de Taubaté deveria ser comemorado em 5 de fevereiro, a gestão emedebista não promoveu nenhuma programação especial para a data, que caiu no último domingo. Também não houve nenhuma menção à data no site e nas redes sociais da Prefeitura.
No fim do ano passado, o prefeito sancionou o projeto de sua própria autoria que extinguiu o feriado municipal de 5 de dezembro, aniversário da cidade. A medida passará a valer a partir de 2023.
Em outro projeto que tramita na Câmara, sob a alegação de “reparar um equívoco histórico", Saud propõe "a correção da data de aniversário de Taubaté", passando o feriado que era no dia 5 de dezembro para o dia 5 de fevereiro.
DATAS.
O dia 5 de dezembro marca a elevação de Taubaté a vila, que ocorreu em 1645. Já o dia 5 de fevereiro marca a elevação de Taubaté a cidade, o que foi oficializado em 1842 – essa segunda data, na visão do governo Saud, seria a da fundação de Taubaté. A gestão emedebista não explicou por que não houve programação especial para comemorar o dia 5 de fevereiro, no último domingo. Sobre a falta de menção no site e na internet, a Prefeitura alegou que “houve uma falha do Departamento de Comunicação em não registrar a data nas redes sociais”.
Nesse segundo projeto, Saud alega que a nova proposta foi feita "resgatando estudos de vários historiadores", mas cita apenas um deles, a taubateana Maria Morgado de Abreu, que morreu em 2008 - a filha dela, no entanto, diz que as citações à mãe foram "distorcidas" no texto enviado à Câmara.
Pesquisadores e historiadores ouvidos pela reportagem criticaram a proposta do governo Saud. Para eles, a data que deve ser considerada a de fundação de Taubaté é o dia 5 de dezembro.
INTERESSES.
A lei que havia criado o feriado de 5 de dezembro era de 2011. A revogação da norma era uma demanda antiga da Acit (Associação Comercial e Industrial de Taubaté), entidade que foi presidida por Saud de 2016 a 2020. Os empresários alegavam que, com o feriado em dezembro, as vendas de Natal eram prejudicadas.
Saud não foi o primeiro a tentar alterar a lei de 2011. Em 2013, a pedido de comerciantes, o então vereador João Vidal propôs transferir o feriado de 5 de dezembro para 5 de fevereiro. O projeto gerou polêmica e acabou arquivado em 2017, a pedido do autor, que apresentou outro texto – esse segundo, extinguiria o feriado de dezembro, sem criar outro em fevereiro. Por vício de iniciativa, a proposta recebeu parecer jurídico contrário e também acabou arquivada.
Em 2018, o então prefeito Ortiz Junior (PSDB) apresentou outro projeto para transferir o feriado de 5 de dezembro para 5 de fevereiro, mas o texto acabou arquivado após falta de consenso entre os vereadores. Em abril de 2020, já na pandemia, Ortiz enviou à Câmara um projeto que suspendia o feriado de 5 de dezembro por dois anos – ou seja, ele deixaria de ser aplicado em 2020 e 2021. O texto sequer foi votado.