A temporada de verão exige da Defesa Civil de São José dos Campos trabalho extra para monitorar as áreas de risco e evitar tragédias, com vítimas em deslizamentos e alagamentos.
Para tanto, o órgão tem uma ferramenta tecnológica para auxiliar nessa missão. Trata-se de radar de última geração cujo sistema fornece imagens meteorológicas das tempestades com até três horas de antecedência. Antes, os alertas eram mais irregulares.
O radar é operado pelo Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), instalado desde 2021 em uma área cedida pela Prefeitura de São José dos Campos na região próxima ao Parque Tecnológico.
O equipamento é um sistema de última geração e o único no Brasil a empregar tecnologia para a detecção de fenômenos meteorológicos a longas distâncias, podendo monitorar um raio de 400 quilômetros e chegando a 18 quilômetros de altura.
Segundo a Secretaria de Proteção ao Cidadão de São José, as informações geradas pelo radar, combinadas a outras fontes de dados, permitem aumentar a capacidade de prevenção de desastres, com a emissão de alertas antecipados não só para São José, como também os demais municípios, compartilhando as imagens em tempo real para as equipes de Defesa Civil.
O avanço tecnológico faz todo o sentido para enfrentar fenômenos meteorológicos cada vez mais extremos, alimentados pelas mudanças climáticas que causaram um aumento nos desastres naturais nos últimos 50 anos, segundo a OMM (Organização Meteorológica Mundial).
Melhor ainda se a tecnologia for nacional, como é a do Radar Meteorológico RMT 0200 operado pelo Cemaden. Ele é desenvolvido e produzido pela empresa IACIT Soluções Tecnológicas, de São José.
Segundo a empresa, o radar de “dupla polarização em estado sólido” é um sistema de última geração e o único no Brasil a empregar tal tecnologia para a detecção de fenômenos meteorológicos a longas distâncias.
“Os instrumentos que estão instalados apontam a quantidade de precipitação que aconteceu, dentre outras variáveis. O Radar Meteorológico proporciona o operador a fazer acompanhamento da célula de chuva, antes mesmo que ela precipite”, disse a meteorologista da IACIT, Raniele Pinheiro.
Segundo ela, o radar possui transceptor baseado na tecnologia de SDR (Rádio Definido por Software) e utiliza a técnica de modulação não linear (NLFM).
As informações do radar, agregadas a informações de pluviômetros, estações hidrológicas e sensores geotécnicos, além de outros instrumentos instalados em áreas de risco, auxiliam no monitoramento das regiões do Vale do Paraíba, Litoral Norte, regiões metropolitanas de São Paulo e de Campinas e algumas cidades do sul fluminense e mineiro.