A Justiça Federal em São José dos Campos aguarda posição do Ministério da Defesa sobre a ação movida por duas associações brasileiras de indústrias do setor aeroespacial e de defesa contra a fabricante norte-americana Boeing.
Com mais de 150 mil funcionários ao redor do mundo, a Boeing é acusada pelas associações de atitude predatória ao contratar engenheiros qualificados e altamente especializados da indústria aeroespacial brasileira, com foco em São José dos Campos.
Após ações da Boeing para recrutar profissionais, a Abimde (Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança) e a Aiab (Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil) entraram com uma ação civil pública acusando a companhia de cooptar engenheiros brasileiros.
A ação tramita, desde o final de novembro do ano passado, na 3ª Vara Federal de São José dos Campos, berço da indústria aeronáutica brasileira, sede da Embraer e do ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica) e epicentro dessa disputa.
O último movimento na ação data de 14 de dezembro do ano passado, quando a Justiça Federal deu prazo de 20 dias para o Ministério da Defesa se manifestar, o que deverá ser feito por meio da AGU (Advocacia-Geral da União). Em razão das festas de final de ano, o prazo está perto de vencer.
Entenda o caso: Associações das Indústrias acusam Boeing de cooptar engenheiros brasileiros
ACUSAÇÃO
A Boeing é acusada pelas associações de “captura sistemática e contratação de engenheiros de empresas que fazem parte da do país”.
“A cooptação desses profissionais, que são altamente qualificados, coloca em risco a sobrevivência dessas empresas e, sobretudo, ameaça a soberania nacional, um dos fundamentos da Constituição Federal”, informam as associações.
Segundo apurou OVALE, já seriam cerca de 300 engenheiros cooptados pela Boeing e o ritmo teria se acelerado no segundo semestre de 2022. Para cada um desses engenheiros, em efeito cascata, o setor perderia outros 45 profissionais dentro da cadeia produtiva.
“A Aiab defende a livre concorrência e o livre mercado. Mas tais princípios não são absolutos. Devem sujeitar-se a imperativos constitucionais como a soberania nacional, conforme estabelecido no artigo 170 de nossa Constituição. O que está em jogo, portanto, é algo muito maior do que quaisquer interesses individuais ou coletivos”, disse Julio Shidara, presidente da associação.
Procurada, a Boeing não se manifestou sobre o assunto.