10 de julho de 2026
CRIME

'Vou matar índio, vou matar mesmo', ameaça homem após invadir aldeia Tekohá Djey

Por Da Redação | Paraty
| Tempo de leitura: 2 min
OVALE
Arquivo
Indígenas da aldeia Tekohá Djey, em Paraty

Indígenas da aldeia Tekohá Djey, em Paraty, no Sul Fluminense, cidade que faz divisa com Ubatuba, no Litoral Norte, alegam que tiveram as terras invadidas na manhã desta segunda-feira, 23 e receberam ameaças de morte. Segundo relatos dos próprios indígenas, um homem que ainda não foi identificado entrou na aldeia sem autorização, fez vários xingamentos às pessoas e disse: “vou matar índio, vou matar mesmo!”

De acordo com informações de quem mora no local, esta é a segunda vez que as terras são invadidas este ano. A vice-cacique da Aldeia, Neusa Kunhã Takuá Martine informou que as providências já estão sendo tomadas: além de registrar a ameaça na delegacia de polícia local, ela acionou o PPDDH (Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas, a CGY (Comissão Guarani Yvyrupa) e a Arpin Sudeste (Articulação dos Povos Indígenas).

O Tekohá Dje’y é uma comunidade indígena Guarani Mbyá e Nhandeva no Rio Pequeno, em Paraty-RJ composta por 43 pessoas e que ocupa aproximadamente 8 hectares. Como é comum neste tipo de território, a área sofre com invasões de terras, desmatamento e caça ilegal.

Segundo eles, os ataques, invasões e constantes ameaças de morte contra os Indígenas Guarani Mbyá e Nhandéva, que vivem no local, se intensificaram desde 2017, quando a ocupação foi reconhecida pela Fundação Nacional do Índio (Funai).

O fato mais grave já relatado foi o assassinato do filho do cacique Demércio, João Mendonça Martins, em 2018, durante conflito com posseiros. Desde então a comunidade vem sofrendo inúmeras ameaças por parte de moradores, madeireiros e posseiros que vivem na região.

Após a invasão do território indígena nesta segunda-feira, as lideranças indígenas do local pedem mais proteção e segurança. “Não é de hoje que o nosso povo vem sofrendo ameaças. Nós continuamos resistindo e pedindo proteção às autoridades. Após fazermos o registro oficial sobre mais este fato, vamos informar ao Estado e aguardamos ações concretas. Estamos divulgando as informações, pois apostamos na solidariedade e na ação comum da sociedade. Respeito e dignidade é o que queremos,” disse Neusa Kunhã.