10 de julho de 2026
TRANSPLANTE

HM de São José capta 50 órgãos para transplante em 2022 e ajuda a salvar vidas

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação / Adenir Britto / PMSJC
Unidade do Centro Cirúrgico do HM sendo preparada para realização de cirurgia

A renovação da vida.

O Hospital Municipal de São José dos Campos encerrou 2022 com a captação de 50 órgãos para transplantes.

A última do ano foi feita no dia de Natal, em que seis órgãos foram captados de Lucas Vicente, 26 anos, que não resistiu a um atropelamento em São José.

“Acho que meu filho é um herói e isso me dá muito conforto. Foi uma demonstração de amor à vida, independente de quem tenha recebido o que foi doado”, disse Zeine Santos Oliveira, mãe do doador.

Segundo ela, Lucas manifestava desde a adolescência o desejo de ser doador de órgãos, o que é fundamental para que o procedimento possa ser realizado legalmente e ajude a salvar vidas.

“A captação de órgãos para transplantes é um processo totalmente seguro e só pode ser feito com a concordância da família do doador. É importante que as pessoas manifestem esse desejo em vida com os familiares”, disse o neurocirurgião Rogério Xavier, coordenador da Comissão Intra-hospitalar de Transplantes do Hospital Municipal de São José, que é mantido pela prefeitura e gerenciado pela SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina).

De acordo com o médico, o número de órgãos capitados na unidade em 2022 é o mais baixo desde 2019, que encerrou com 39 órgãos. Nos anos seguintes, a quantidade foi de 63 (2020) e 54 (2021).

“Esse número poderia ser muito mais expressivo se mais famílias autorizassem as doações. Em 2022, nossa taxa de recusa familiar foi de 55%. Ou seja, pouco mais da metade dos potenciais doadores não tiveram as doações efetivadas, pela não concordância dos familiares”, contou Xavier.

PROCEDIMENTO

A doação de órgãos é uma atividade extremamente regulamentada e controlada. O processo começa com o devido diagnóstico de morte encefálica.

Segundo Xavier, pacientes com lesões cerebrais, como por exemplo traumatismo cranioencefálico, derrames, hemorragias cerebrais, entre outras, que não respondem satisfatoriamente ao tratamento, apresentam sinais clínicos de inatividade do encéfalo.

Neste momento, é aberto o Protocolo de Diagnóstico de Morte Encefálica, no qual o paciente é submetido a vários exames clínicos e exames complementares que verificam se o encéfalo ainda tem viabilidade.

Caso o protocolo seja positivo para morte encefálica, os familiares são abordados para saber se a pessoa tinha o desejo de doar os órgãos e se eles autorizam a doação.

“Uma vez autorizada a doação, se inicia então o processo de procura dos pacientes receptores compatíveis, que estão em uma lista de espera nacional, para que as equipes de transplantes de diversas regiões do estado venham fazer a captação dos órgãos para que os mesmos sejam levados aos hospitais onde os transplantes serão realizados”, disse o neurocirurgião.

Quem coordena o processo de definição de quais órgãos serão captados e quais equipes farão as captações é a OPO (Organização de Procura de Órgãos), que, no caso do HM, fica em Campinas. Eles definem essas questões e comunicam a Central Estadual de Transplantes.

No HM, a Comissão Intra Hospitalar de Transplantes é composta por um médico, cinco enfermeiras, uma psicóloga, um fisioterapeuta, uma assistente social e um assistente administrativo. O trabalho também tem o envolvimento de outros profissionais do hospital, em um grande trabalho multidisciplinar.

“Particularmente, vejo [a doação de órgãos] como uma grande oportunidade de transformar um acontecimento tão penoso, que é a perda de um ente querido, em um momento de renovação da vida, para tantas outras pessoas”, afirmou Xavier.

“Não podemos nunca deixar de fazermos o exercício de nos colocarmos no ‘lugar do outro’. Em algum momento podemos ter algum parente próximo, ou nós mesmos, precisando de um rim, um fígado, um coração, uma córnea”.