A empresa estatal chinesa Comac ameaça tirar da brasileira Embraer, que tem sede em São José dos Campos, o título de terceira maior fabricante de aviões comerciais do mundo. A meta do governo chinês é fazer com que a Comac supere a Embraer em número de aviões produzidos nos próximos anos, segundo apontou o site Airway, especializado em aviação.
Embora não tenha a mesma experiência e presença global da Embraer, a Comac tem um trunfo: dezenas de companhias chinesas vão receber os jatos ARJ21 e C919 da Comac, gostando ou não deles.
Isso porque o Partido Comunista da China tem a ambição de ser menos dependente de Boeing e da Airbus. E mesmo estando longe de competir com as duas gigantes do mercado aéreo, a dupla de aviões da empresa chinesa deve suprir o básico do mercado doméstico, ou seja, a faixa entre 90 e 170 assentos.
E o que leva a pensar que a fabricante chinesa pode superar a Embraer em volume de produção é a meta de produzir anualmente 150 C919 dentro de cinco anos.
Somado ao pequeno ARJ21, que já possui duas linhas de montagem ativas com capacidade para 50 aviões por ano, a Comac poderá entregar, portanto, 200 jatos anualmente até 2028.
É um patamar que não ameaça a Boeing e a Airbus, mas que é praticamente o dobro dos melhores tempos da Embraer. Em 2018, por exemplo, a empresa sediada em São José dos Campos entregou 90 aviões comerciais, já no ano passado, ela pode ter entregado em torno de 54 jatos, segundo levantamento de Airway. Já a Comac teve 33 aviões entregues, sendo 32 ARJ21 e um C919, o primeiro do modelo, recebido pela China Eastern Airlines.
Segundo Zhang Yujin, diretor geral da Comac, há 1.200 pedidos pelo C919, que possui capacidade de passageiros semelhante ao Airbus A320neo e o Boeing 737 MAX 8.
Certamente, o trabalho da empresa chinesa será bem mais fácil que o da Embraer, que precisa negociar cada avião vendido, muitas vezes enfrentando a força da Airbus com o A220. A Comac, por sua vez, não tem qualquer necessidade de convencer seus potenciais clientes a levar o ARJ21 e o C919 – trata-se de uma determinação política.
Já a Embraer tem uma chance mais limitada de ampliar suas vendas enquanto depender apenas dos modelos E190-E2 e E195-E2, de maior capacidade. O que deveria ser a maior esperança da empresa, o modelo E175-E2, está com o desenvolvimento suspenso por não se encaixar nas restrições de operação das companhias aéreas regionais dos EUA, seu maior mercado.