Reeleito para o quarto mandato como deputado federal, Paulo Freire da Costa (PL-SP) é pastor da Assembleia de Deus em Campinas e leva a pauta religiosa para dentro do parlamento. “Tenho participado ativamente das questões políticas relativas aos valores cristãos”, disse.
Comprometendo-se em “melhorar a qualidade de vida da população” de Campinas, Costa fala de Bolsonaro, governo Lula e dos ataques a Brasília. Confira.
O senhor vai entrar no quarto mandato como deputado federal. Quais os motivos para a carreira longeva no parlamento?
Todo o meu mandato foi e é representativo dos cidadãos evangélicos da Assembleia de Deus – Ministério Belém-SP. Desde a criação do Projeto Cidadania AD Brasil, tenho participado ativamente das questões políticas relativas aos valores cristãos acolhidos pelos cidadãos membros da Assembleia de Deus.
Portanto, mesmo antes do mandato de deputado federal sempre desempenhei um trabalho no meio político do povo assembleiano. Após ser escolhido pelas lideranças evangélicas da Assembleia de Deus – Ministério Belém-SP, passei a representar esse segmento com muito esmero e dedicação. Acredito que por representar os valores cristãos da nossa comunidade e defendê-los com zelo, tenho sido continuamente escolhido para exercer o meu quarto mandato.
Quais as metas e as bandeiras para o novo mandato?
Os valores cristãos dos cidadãos que me elegeram sempre serão minha principal bandeira. Mas desde o meu primeiro mandando, tenho priorizado também as áreas da saúde e da educação. Minhas emendas sempre foram direcionadas as essas áreas, porque entendo serem fundamentais para o desenvolvimento pleno da qualidade de vida dos cidadãos.
A primeira infância e as crianças especiais, especialmente aquelas que possuem o aspecto autista, têm recebido especial atenção do meu mandato. Foi minha a iniciativa de enviar recursos através de emenda parlamentar para a construção da Sede do Pratea (Programa de Atenção aos Transtornos do Espectro do Autismo) da Unicamp. Sempre apoiei os Conselhos Tutelares, providenciando as condições básicas para seu funcionamento, especialmente na cidade de Campinas.
Fui um dos parlamentares que mais enviou emendas para o Hospital de Clínica da Unicamp. Por defender os municípios, e por receber votos de quase todos os municípios de São Paulo, procurei atender os prefeitos e vereadores de inúmeras cidades paulistas, especialmente os municípios menores e menos favorecidos. Assim, continuarei com essas mesmas bandeiras e metas, ou seja, priorizar as áreas da educação e da saúde e continuar a luta pelos valores cristãos, como a defesa da vida, da família, da propriedade privada, da liberdade de empreendimento, da liberdade de expressão, e de culto religioso.
O sr. apoiou Bolsonaro no segundo turno. O ex-presidente diz que as eleições não foram limpas e que teriam sido fraudadas. Concorda com ele?
Em todas as eleições em nosso país o Projeto Cidadania AD Brasil se posiciona, dando total liberdade para a comunidade escolher aquele candidato que melhor representa os nossos valores. Apoiamos o então candidato Antony Garotinho, depois a candidata Marina Silva e atualmente o ex-presidente Jair Bolsonaro. Somos uma comunidade majoritariamente de direita, e esses candidatos em cada momento político representaram direta ou indiretamente valores que também defendemos.
Daí o apoio que demos ao ex-presidente Jair Bolsonaro foi natural, uma vez que algumas pautas que ele defendeu eram mais próximas das nossas.
Respeitamos o resultado das urnas, como sempre fizemos, obviamente existem muitas pessoas que questionam o sistema eleitoral brasileiro. No entanto, como até hoje, não foram apresentadas provas materiais explícitas, inclusive o próprio Exército do país, nada apontou, acolhemos os resultados das urnas.
Qual a expectativa do sr. para o governo Lula? Pretende fazer oposição ao governo federal? De que forma?
O projeto vencedor nesse pleito de 2022 foi o da esquerda, embora a esquerda precisou criar uma frente ampla, sem dúvida descaracterizando essencialmente esse projeto esquerdista. Como cidadão e cristão sempre desejo o melhor para o meu país, por isso continuarei orando e ajudando a minha nação, nesse aspecto sempre desejarei para o mandatário vencedor que tenha sucesso em seu governo.
Como deputado federal eleito pelo PL (Partido Liberal), nosso projeto para o país, nesse momento, foi derrotado nas eleições presidenciais, caberá a mim, como membro desse partido, fazer uma oposição programática e inteligente, não como a esquerda fez e faz, já que a mesma faz oposição de terra arrasada.
Nossa oposição é respeitosa, programática e com proposições que acreditamos serem melhores para a nação. Caberá a nós do PL fiscalizar o governo, não permitindo a imposição ideológica e nem o aparelhando o Estado Brasileiro.
E qual a expectativa do sr. para o governo Tarcísio de Freitas e Felicio Ramuth em São Paulo?
Felizmente, nosso partido faz parte do governo de São Paulo, com o governador Tarcísio e seu vice Ramuth. Cremos que a direita em São Paulo terá a oportunidade de mostrar uma vez mais sua competência administrativa, com sua nova proposta política de trabalhar com técnicos capazes de responder os imensos desafios do maior estado da federação.
Também nosso partido elegeu a única vaga em disputa para o Senado Federal por São Paulo, com o Astronauta Marcos Pontes, tendo como seu primeiro suplente o vereador de Campinas, Pastor Professor Alberto da nossa Igreja Assembleia de Deus de Campinas. Estamos muito otimistas com essa esmagadora vitória da direita no Estado de São Paulo.
Quais os maiores desafios de Campinas?
Campinas é uma cidade de grande potencial tecnológico, econômico e humano. Sua região metropolitana composta por 19 municípios, com uma população estimada em 2,33 milhões de habitantes (6,31% da população do Estado). Os desafios são imensos, nossa luta é para melhorar a qualidade de vida da população, numa gestão inteligente, acessível e solidária.
Por ser pastor, como o sr. vê o uso da religião para fazer política partidária? Elas se misturam?
Nós cristãos evangélicos temos uma cosmovisão bíblica. Todas as análises e decisões que tomamos fazemos numa perspectiva cristã, portanto, é óbvio que a religião está intimamente ligada a qualquer percepção, seja partidária, ideológica ou filosófica. O próprio mundo ocidental foi construído dentro de uma perspectiva judaico-cristã, muito do Estado Democrático de Direito, teve sua gestação no cristianismo.
Como fazemos parte de um Estado Democrático de Direito, lutamos para que nossos valores sejam respeitados, não desejamos impô-los a ninguém, pelo contrário, queremos apenas preservar nossos direitos.
Em alguns momentos religião e política se argamassam, exemplo, quando luto pelo direito da liberdade de culto, quando luto pelo direito da vida, quando luto pelo direito de não fazer casamento dentro de nossos templos com pessoas do mesmo sexo, quando luto para que o crime de pedofilia seja inafiançável etc.
Agora, quando se utiliza do discurso religioso para incitar a violência, desconstruir a humanidade de alguém ou impor sua crença religiosa, isso não é admissível, nem faz parte da ética cristã.
Por fim, qual sua avaliação do atual momento político do país, após os ataques a Brasília? Acredita que a polarização tende a piorar ou a situação deve melhorar no país?
É inadmissível o ataque aos símbolos máximos da República Federativa do Brasil, não podemos, em hipótese alguma, apoiar atos de vandalismo contra o Estado Democrático de Direito. Vivemos num momento de tensão, de polarização, mas isso faz parte dos ciclos históricos do processo político humano. Em outros momentos, essa polarização também foi muito potencializada, o que levou a guerras e a muita destruição, precisamos aprender com situações similares do passado.
Infelizmente, extremistas sempre existiram, seja de esquerda, seja de direita, seja na religião, sempre teve gente extremista, mas a sociedade majoritariamente não deve silenciar-se frente aos extremismos. Devemos lutar sempre para o respeito e equilíbrio, a alternância de poder numa democracia é saudável. Não podemos permitir que ideologias políticas ou religiosas destruam a harmonia social, a pluralidade de ideias e religiosas, presente na nação brasileira.
O fato de as pessoas pensarem, expressarem suas crenças, suas convicções diferentes das minhas, não me dá o direito de tê-las como inimigas, num Estado Democrático todos tem o direito de opinião. Acredito que essa polarização poderá se acentuar ou amenizar, tudo dependerá das autoridades políticas, da mídia, das lideranças em geral, contribuir para um diálogo saudável e respeitoso. Como pastor estarei sempre orando e ministrando bênçãos para o povo brasileiro, como deputado federal dialogarei sempre, desempenhando meu papel como fiscalizador, guardião da Constituição Federal e representando os valores cristãos do povo da Assembleia de Deus, povo trabalhador, equilibrado, acolhedor, povo de oração e respeito, povo de Deus.