Brasília, 8 de janeiro de 2023.
O ‘Dia da Infâmia’, que será conhecido doravante como um dos dias mais tristes da História do Brasil, ainda insiste em aterrorizar os brasileiros.
Continuam as ameaças de novos ataques terroristas, golpistas seguem inflamados e inflamando dentro e fora das redes sociais e o país se vê diante de uma polarização odienta que só nos atrasa.
No domingo (8), as cenas de ataque e depredação aos símbolos máximos da República repercutiram em todo o país e chocaram o mundo democrático.
Golpistas apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) invadiram a sede dos três poderes: Congresso Nacional, Palácio do Planalto e STF (Supremo Tribunal Federal), este o espaço mais destruído.
Imagens de terroristas autodenominados ‘patriotas’ demorarão a sair da memória, como a do homem que simulou defecar no STF e outros que destruíram obras de arte da cultura brasileira.
O saldo da violência, segundo a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Distrito Federal, foi de 1.166 presos, sendo 673 homens e 493 mulheres. Eles participaram dos atos de 8 de janeiro e estavam acampados em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília. Todos serão devidamente processados.
Na última terça-feira (10), o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionou o STF após detectar nova ameaça de protestos golpistas organizados por apoiadores de Bolsonaro (PL).
“O que se observa é nova tentativa de ameaça ao Estado democrático de Direito, o qual deve ser salvaguardado e protegido, evitando-se para tanto o abuso do direito de reunião, utilizado como ilegal e inconstitucional invólucro para verdadeiros atos atentatórios ao Estado democrático de Direito”, apontou a AGU (Advocacia-Geral da União).
Tal escalada de violência bolsonarista tem raízes no Vale do Paraíba, palco do estopim intolerante dos apoiadores do ex-presidente.
Maior evento popular da fé católica do país, a Festa de Nossa Senhora Aparecida de 2022, celebrada em 12 de outubro no Santuário Nacional e na Basílica Velha, foi marcada por episódios violentos de seguidores do ex-presidente.
Bolsonaristas encurralaram e coagiram um jovem vestido de vermelho ao lado da Basílica. Apoiadores do presidente também hostilizaram equipes de reportagem.
Mas o pior foi a cena dantesca de mulheres bolsonaristas ameaçando interromper os tradicionais toques de sinos da Consagração de Nossa Senhora Aparecida na Basílica Velha. O som estaria, segundo elas, atrapalhando evento religioso apoiadores do ex-presidente no lado de fora do templo histórico. Detalhe: no mesmo horário da celebração da festa.
Tal violência só piorou após o resultado da eleição, que deu a Lula sua terceira vitória no país. Bolsonaristas insistiram na tese de que houve fraude eleitoral, sem qualquer prova, e mobilizaram-se em frente a unidades militares. Os acampamentos viraram células de organização e prática de violência contra a democracia.