O trem vem aí.
O governo de São Paulo prevê lançar no primeiro semestre deste ano a licitação do TIC (Trem Intercidades), cuja primeira fase vai ligar a capital a Campinas.
A segunda fase vai contemplar o Vale do Paraíba, com o Trem Intercidades conectando São Paulo a São José dos Campos, etapa cuja licitação também pode ser realizada no primeiro semestre de 2023.
Tanto o governo que saiu quanto os novos ocupantes do Palácio dos Bandeirantes apostam neste cronograma para uma das obras de mobilidade mais esperadas pelos paulistas.
No meio de dezembro, o então governador Rodrigo Garcia (PSDB) disse que a licitação do Trem Intercidades seria nos seis primeiros meses deste ano, ao menos a ligação de São Paulo a Campinas.
Vice-governador eleito e empossado no dia 1º de janeiro, Felicio Ramuth (PSD) não só confirmou o prazo com incluiu a segunda etapa na previsão.
Segundo ele, as duas etapas poderão ter a licitação lançada até a metade de 2023, pois “existe uma viabilidade prévia para isso”, mas que dependerá da evolução dos estudos técnicos.
O que é considerado certo é a licitação do trecho do Trem Intercidades ligando São Paulo a Campinas, nos primeiros seis meses de mandato do novo governo eleito.
A segunda prioridade para a gestão estadual, afirmou Felicio, é o trecho entre São Paulo e São José dos Campos. Nesse caso, a ideia é aproveitar a malha ferroviária da empresa MRS e utilizá-la como base de estudo para a implantação do Trem Intercidades, transporte de passageiros por trilhos, de média velocidade.
Felicio disse ainda que, num futuro próximo, existe a possibilidade de o Trem Intercidades chegar até outras cidades do Vale, como Taubaté e Aparecida. “O sistema de operacionalização do Trem Intercidades se dará por meio de concessões, que traz mais agilidade para a realização da obra”, afirmou o vice-governador.
“Vamos investir nos trens intercidades, esse projeto está mais fácil. O primeiro leilão que nós vamos fazer será do Trem Intercidades entre Campinas e São Paulo, porque já tomamos todas as providências com a renovação antecipada da Malha Paulista e da MRS pra tirar esse projeto do papel”, afirmou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
PRIMEIRA ETAPA
A primeira etapa do TIC vai ligar a Linha 7-Rubi, da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), à malha ferroviária para chegar até Campinas. Estão previstos investimentos de R$ 10,2 bilhões pelo poder público e pela iniciativa privada.
O TIC terá 100 quilômetros de extensão e a previsão é transportar até 565 mil passageiros por dia. Segundo o estudo, haverá um serviço expresso entre Campinas, Jundiaí e São Paulo, e outro entre Campinas e Francisco Morato com paradas em Louveira, Valinhos e Vinhedo.
Para o governo do estado de São Paulo, um projeto deste porte aumenta a acessibilidade entre metrópoles e cidades polo, gera oportunidades de negócios e de empregos nos segmentos ferroviário e tecnológico e também viabiliza a expansão da infraestrutura de transporte para passageiros e cargas, aliviando rodovias e vias urbana.
Para o Estado, além do desenvolvimento econômico e o benefício aos passageiros, um dos principais objetivos é diminuir o uso do automóvel e, consequentemente, a emissão de gases de efeito estufa.
RMVALE
Na segunda etapa, a previsão é que o TIC chegue até o Vale conectando a capital a São José dos Campos. Como aumentar a movimentação de turistas é um dos objetivos do governo estadual, o projeto do trem pode ter uma expansão na RMVale e chegar até Aparecida, principal foco do turismo religioso no país, recebendo até 13 milhões de pessoas por dia.
“O trecho do Vale está em estudo e há trechos até mais fáceis, por causa da linha da MRS. Haverá estudos técnicos e, se não der para iniciar a obra, haverá pelo menos o projeto. Estou muito otimista com essa obra. Agora, Campinas é realidade e vai sair no primeiro semestre”, disse Felicio.
VIAGEM
A previsão do governo estadual é que o Trem Intercidades pode diminuir em 30 minutos o tempo de viagem entre São Paulo a Campinas. Atualmente, a depender do trânsito, gasta-se cerca de 90 minutos para ir de uma cidade a outra. Com o trem, o Estado espera que o trajeto leve 60 minutos.
Para que o projeto saia do papel, contudo, será preciso assinar convênios de cooperação entre os municípios que serão beneficiados pela obra, além de acordos com o governo federal. Caberá ao Estado fiscalizar as obras, aplicar eventuais penalidades e coordenar o contato entre as estações operadas pela CPTM e outras concessionárias, que terão que comprar novos trens, adequar o traçado e a infraestrutura existentes, construir novas vias, implantar pátios e equipamentos de manutenção.