O movimento Campinas.
A cidade de Campinas está no limiar para um novo sistema de transporte público, que inclui a nova concessão para a operação de ônibus, com a adoção de corredores de BRT (Ônibus de Trânsito Rápido) e de veículos modernos. Também se planeja aumentar as ciclovias e estimular o uso de bicicleta como meio de locomoção.
O aviso da licitação do novo transporte foi publicado no Diário Oficial e as propostas devem ser apresentadas até 2 de março deste ano. A etapa chega após um atraso de seis anos – edital do transporte era esperado desde 2016 e estava travado desde 2019, quando a Justiça recomendou a necessidade da realização de consulta pública.
A previsão da Prefeitura de Campinas é que a nova concessão tenha um contrato de 15 anos de duração, coloque em operação os corredores BRT com novos ônibus e garanta a retomada do controle de bilhetagem pelo poder público.
O valor estimado de todo o sistema, pelos 15 anos de concessão, é de R$ 7,67 bilhões, dos quais R$ 1,8 bilhão será de investimentos dos futuros concessionários.
A operação será dividida em dois lotes no edital: Lote 1 (regiões Norte, Oeste, Noroeste) e Lote 2 (regiões Leste, Sul, Sudoeste). Cada lote terá três áreas operacionais.
“A meta da administração municipal é melhorar a qualidade do transporte coletivo. Não apenas para os ônibus, como também para os terminais urbanos. Além de melhorar, também, o sistema de meios de pagamentos, com novas opções e novas tecnologias. Tudo isso irá possibilitar mais qualidade de vida ao usuário; e aumentará o número de passageiros”, disse Vinicius Riverete, presidente da Emdec (Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas).
Segundo ele, haverá renovação e modernização da frota, com mais conforto e informação ao usuário. Ônibus elétricos com sinal de wi-fi e ar-condicionado, de acordo com a programação de renovação da frota. Também maior disponibilidade do serviço, com a racionalização das linhas e aumento de oferta. E ainda mais facilidade de uso, com os novos meios de pagamento, como Pix e NFC (por aproximação). “Será um transporte público coletivo com qualidade aos usuários”, afirmou Riverete.
“Haverá significativo aumento na oferta de lugares, com a renovação da frota e a racionalização das linhas, e a operação plena dos corredores BRT (Ouro Verde, Campo Grande e Perimetral).”
O edital do novo transporte prevê a adoção de “ônibus novos, mais confortáveis, silenciosos e menos poluentes”, além de serviço com mais informação aos usuários, confiável e em tempo real. Espera-se ainda um serviço com menos tempo de espera nos pontos, estações e terminais. E viagens mais rápidas na cidade. Para tanto, a frota do sistema BRT será integrada ao sistema.
Riverete também informou que a cidade contará com mais ônibus elétricos, cuja frota será “renovada e ampliada para, no mínimo, 230 veículos (implantados de forma escalonada em até cinco anos), operando em todas as regiões do município”.
Além disso, segundo o presidente da Emde, há incentivo para os concessionários ampliarem as frotas elétricas, ou de outras tecnologias limpas, durante o contrato de concessão.
TARIFA ZERO
Na avaliação de Riverete, a proposta da tarifa zero no transporte está “em alta” por causa da discussão na cidade de São Paulo. Lá, segundo o executivo, apenas o subsídio destinado ao sistema de transporte público por ônibus é o valor do orçamento interno de Campinas. “Aqui não existe essa discussão. Sobre a questão ‘híbrida’, hoje Campinas já possui subsídio para o sistema de transporte público.”
Além da nova concessão dos ônibus, a cidade vai investir cada vez mais no modo de transporte por bicicleta, com a construção de infraestrutura cicloviária.
“Melhorar o tráfego na cidade, fazendo algumas pequenas obras de sinalização e geometria, que melhoram a fluidez. Ampliar as faixas exclusivas, dando prioridade ao sistema de transporte público. E continuar com as próximas fases de operação do BRT, que teve início em novembro, com a Fase 1, no Corredor Campo Grande”, disse Riverete.
TREM INTERCIDADES
Além dos ônibus e das bicicletas, um projeto considerado fundamental para a Região Metropolitana de Campinas é do TIC (Trem Intercidades), cuja primeira etapa vai ligar a região a São Paulo.
A previsão do governo estadual é lançar a licitação para o TIC no primeiro semestre deste ano, com um investimento previsto de R$ 10,2 bilhões (leia mais nas páginas 18 e 19 deste Documento OVALE).
“A implantação do projeto é um desejo e uma necessidade para Campinas e sua Região Metropolitana, bem como para as regiões metropolitanas de São Paulo e Jundiaí. É a única forma possível de garantir o desenvolvimento sustentável para a Macro Metrópole Paulista, para os próximos 50 anos, uma vez que as ligações rodoviárias estão muito próximas do limite de capacidade, sem possibilidade de ampliações”, disse Riverete.
Segundo ele, a implantação do TIC deve aliviar a saturação do Sistema Anhanguera/Bandeirantes e, também, do Anel Viário de Campinas, formado pelo arco das rodovias Dom Pedro 1º e Magalhães Teixeira.
ÔNIBUS
O sistema de transporte público coletivo de Campinas conta com 203 linhas e 890 veículos em operação. No mês de novembro do ano passado, o sistema transportou cerca de 10,7 milhões de passageiros. Com a nova concessão do transporte, a cidade espera contar com mais de 200 ônibus elétricos durante o período do contrato, com crescimento de veículos de maneira escalonada entre o primeiro e o quinto ano.
No total, a concessão do transporte público será realizada por 15 anos, prorrogável por mais cinco anos. A forma de remuneração dos serviços prestados foi adequada e estará atrelada ao desempenho operacional e qualidade dos serviços prestados. Além disso, foi instituído o Sistema de Arrecadação e Remuneração, que passa a ser administrado pela Emdec (Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas) e não mais pelas empresas operadoras.
“Após um processo marcado pela transparência e diálogo com a sociedade, chegamos à etapa final do processo licitatório, que resultará na contratação das empresas que irão gerir o transporte coletivo de Campinas. Este é um passo importante para que o transporte público avance e ofereça mais qualidade aos usuários”, disse o presidente da Emdec, Vinicius Riverete.