Ex-secretário de Transportes de São José dos Campos entre 2009 a 2012, Anderson Farias (PSD), agora prefeito, sabe a importância que a mobilidade tem para a maior cidade do Vale do Paraíba. “Mobilidade é qualidade de vida”, disse ele.
A cidade vai lançar a nova licitação do transporte público neste começo de ano e aposta em diversos outros projetos para melhorar a mobilidade, como a expansão da Linha Verde, o Anel Viário Leste, mais de 50 km em ciclovias e melhorias para os pedestres.
“A cidade se destaca em mobilidade urbana e vamos investir muito nisso”, disse Anderson. Confira.
Qual a avaliação sobre a operação da Linha Verde?
É superpositiva e acima da expectativa para o funcionamento dela. Atende muito bem a questão da região sul com a central e o terminal rodoviário. Está cumprindo dois papéis importantes no sistema. Primeiro com um modelo novo do corredor, sendo 100% sustentável e integrado ao sistema existente hoje. E também de pessoas que estão deixando o carro em casa para usar a Linha Verde, que é um papel do sistema de transporte público.
É o que estamos buscando fazer aqui, um novo sistema de transporte para dar mais conforto a quem usa e trazer mais passageiros. Também aos usuários saber as suas obrigações quanto ao pagamento, pois não há cobradores e nem catracas. Ou qualquer outro dispositivo que o bloqueio dentro do veículo. Ele tem que passar o cartão pelo validador dentro do carro. Dependendo dos carros são quatro validadores. São vários conceitos diferentes nos veículos da Linha Verde.
Já está prevista a segunda etapa da Linha Verde?
Previsão é de estar com o projeto pronto até o final do primeiro semestre de 2023, toda a parte de projeto. E entra também o Anel Viário Leste, que vamos fazer todo sistema de veículo e o corredor da Linha Verde. Vamos terminar os projetos para ligar o terminal urbano do Jardim Paulista até a região do Parque Tecnológico. Finalizamos os projetos devemos começar todo o projeto de recursos e de contratação. Vamos ver se terá recursos próprios ou de outra fonte. Não dá para adiantar os valores ainda.
Algo que devemos realizar é fazer a primeira etapa da segunda fase, a conexão do Jardim Paulista com a Via Cambuí, onde tem a maior obra de arte sobre o córrego Cambuí, e isso vai ficar do ponto de vista do Anel Viário Leste e vai dar uma desafogada grande na avenida JK e na Via Dutra.
Como está a licitação do transporte?
Estamos finalizando o processo de cotação de mercado e encaminhamos aos interessados o novo termo de referência com a locação dos veículos, para que possamos preparar o novo termo para a licitação neste começo do ano. Tivemos veículos elétricos fazendo testes em São José e foi importante para ter todos os dados, sobre consumo e autonomia. Também foi bom para apresentarmos qual o conceito dos veículos que queremos para a cidade. Então, estamos terminando a cotação de mercado.
A cidade vai ter 100% da frota com ônibus elétricos?
É possível, sim. A nossa distribuição de carregadores é descentralizada, temos garagem de manutenção, garagens menores e postos de abastecimento dos veículos, que evita que os veículos rodem muito pata recarregar.
Como vai ficar a tarifa? A prefeitura vai subsidiar?
O modelo que estamos colocando é que a operação seja paga pela tarifa, o que não é fácil atualmente. O governo federal que saiu não fez e o que entrou não acenou párea subsídios aos sistemas de transporte nas cidades, o que é preocupante. Mas São José está mais avançada nisso. Preparando o sistema para que a tarifa hoje em operação seja viável pagar o transporte. O que estamos estudando é, se necessário for, fazer o subsídio ao sistema fornecendo a energia. Temos uma fazenda fotovoltaica e teremos a estação de biogás, que vai gerar energia também. Estamos fazendo toda a conta e trabalho para manter a tarifa como está hoje e o equilíbrio do sistema.
Tarifa zero seria viável?
Gostaria de saber os dados das cidades que estão fazendo, porque nesse sistema quem paga a conta é toda a cidade. Não existe tarifa zero e não existe prestação de serviço de graça. Alguém está pagando essa conta. Tem que ter meta de tirar um percentual de carros das ruas para justificar o transporte, que será pago pela população.
São José vai ampliar as ciclovias?
Temos meta de passar de 200 quilômetros na cidade. Temos hoje 158 km e um plano cicloviário. Vamos investir e fazer as conexões.
Em Barcelona, o que você trouxe na bagagem com relação à mobilidade?
Ganhamos um prêmio como a cidade destaque em ação em mobilidade urbana. E aí são várias ações: calçadas acessíveis, guias rebaixadas, plano macroviário, o sistema viário com os três eixos de educação, fiscalização e obras, com as intervenções viárias para melhorar a circulação. Cuidados dos pedestres, dos ciclistas, motociclistas e motoristas. São investimentos em todas as áreas. Colocando o pé para fora de casa já se está falando de mobilidade. Ruas bem sinalizadas, seguras, ciclovias e semáforos inteligentes. O que aprendemos lá fora, e que precisamos melhorar aqui, é a educação para o trânsito. Isso faz uma grande diferença e salva vidas. Na Europa, uma placa de pare é para parar de verdade, aqui as pessoas desaceleram.
Temos que mudar isso com educação para o trânsito. Temos ações permanentes nas escolas. Isso é cidadania, para respeitarmos uns aos outros, reduzir os acidentes e de mortes. O carro cuida da moto, que cuida da bicicleta que cuida do pedestre. Tem uma mobilidade mais segura. E lá fora eles fazem os mesmos investimentos do que nós, que temos mais acidentes. Vamos lançar um programa de ‘multa zero’: ninguém vai passar do excesso de velocidade em um mês e esperamos que o resultado seja espetacular para evitar acidentes.
E o novo aeroporto?
Já está operando os voos de carga e, em breve, teremos novidades sobre voos comerciais. É a nossa cereja do bolo.