10 de julho de 2026
ELEIÇÕES

Com virada de ano, prefeitos chegam à metade do mandato e movimentam xadrez político

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 5 min
Divulgação / Adenir Britto / PMSJC
Anderson Farias conversa com a deputada estadual Letícia Aguiar e o vereador Juvenil Silvério

A virada do ano marca a metade do mandato de prefeitos e vereadores do Vale do Paraíba e da Região Metropolitana de Campinas e agita o xadrez político, de olho nas eleições municipais de 2024.

Dos 21 prefeitos da RMVale que tentaram a reeleição em 2020, 15 conseguiram o segundo mandato, ficando 24 cidades com mandatários em primeiro mandato que poderão concorrer à reeleição em 2024.

Na região de Campinas, sete prefeitos se reelegeram em 2020 e não poderão mais concorrer, ficando 13 cidades com administradores que poderão disputar mais um mandato a partir de 2024.

A disputa vai ser dura nas principais cidades da RMVale, com os prefeitos de São José dos Campos e Taubaté podendo disputar a reeleição em 2024 e o de Jacareí completando o seu segundo mandato, portanto ficando de fora do pleito.

SÃO JOSÉ

Tendo trocado o PSDB pelo PSD juntamente com o vice-governador Felicio Ramuth, o prefeito de São José dos Campos, Anderson Farias, terá o desafio de dar à gestão da cidade sua marca pessoal nos próximos dois anos, não apenas como um sucessor de Felicio e continuador dos projetos do ex-prefeito.

Ele deve contar com a boa vontade do governo estadual em direcionar recursos e obras para a maior cidade do Vale, como a segunda fase da Linha Verde, cujo projeto Anderson pretende ver pronto até o final do primeiro semestre de 2023.

Essa é uma das obras que o prefeito deve apresentar ao Estado para buscar recursos, e se tornar a sua marca na gestão joseense, além na revitalização do centro e do novo sistema de transporte público. Por outro lado, a questão da ocupação do Banhado é um dos desafios da gestão.

“Momento agora é de começar o governo estadual e a questão partidária a partir de março. O [Gilberto] Kassab e o Felicio [Ramuth] vão organizar o partido no estado e esse ano será de muito crescimento para a legenda, no estado e no Vale. Ideia é que o PSD cresça bastante”, disse Sérgio Theodoro, vice-presidente do PSD em São José dos Campos.

A eleição em São José terá um cenário diferente dos últimos anos. Depois de vencer seis das sete últimas eleições, o PSDB está fora da prefeitura ao perder a cadeira para o PSD, com a mudança de partido de Felicio e Anderson. Mais de 200 tucanos fizeram o mesmo caminho e engrossaram as fileiras do PSD em São José.

O PSDB, contudo, tem nomes experientes como o deputado federal Eduardo Cury, que não conseguiu se reeleger e pode ser o nome da legenda para disputar a prefeitura, caso permaneça no partido. O ex-secretário e assessor de Projetos Especiais da cidade, José de Mello Correa, é outro nome do partido para o cargo.

Mesmo com o mau desempenho eleitoral, o PSDB ainda tem ‘bala na agulha’ em São José, tanto que Anderson nomeou Alexandre Blanco para a Assessoria de Projetos Especiais, antes ocupada por Mello. Blanco é enteado do ex-prefeito Emanuel Fernandes, principal cacique do PSDB na cidade e região. Trata-se de mais um movimento no tabuleiro político que vai mexer nas peças para 2024.

TAUBATÉ

Em Taubaté, o prefeito José Saud (MDB) pode buscar a reeleição e deve ter como principal adversário o ex-prefeito Ortiz Junior (PSDB), que não se elegeu deputado estadual e nem fará parte do governo de Tarcísio de Freitas, portanto sobrando a Prefeitura de Taubaté como alternativa para a continuidade da carreira política.

Saud também tem o desafio de imprimir uma marca pessoal na gestão taubateana para enfrentar Ortiz.

Quem corre por fora na cidade é Loreny Caetano (Solidariedade), que perdeu o segundo turno em 2020 para Saud e se tornou uma força política. Ela fez parte da equipe de transição do governo Lula e deve receber apoio federal para sua candidatura.

Assustado com o resultado das eleições de 2022, com a redução do papel do PSDB no estado, o prefeito de Jacareí, Izaias Santana (PSDB), vai tentar fazer o sucessor em meio à derrocada eleitoral do partido.

Logo após o segundo turno da eleição, Izaias fez mudanças no secretariado e criou a Secretaria Especial de Comunicação e Direitos Humanos, uma ‘supersecretaria’ que reunirá várias pastas e terá como uma das missões dar visibilidade ao trabalho do escolhido para ser o sucessor de Izaias.

Um dos nomes cogitados na cidade é o do secretário de Governo e Planejamento, Celso Florêncio de Souza, um dos expoentes do PSDB na cidade. Economista formado pela USP (Universidade de São Paulo), Souza é mestre em Administração com ênfase em Gestão Pública.

CAMPINAS

Em Campinas, o prefeito Dário Saadi (Republicanos), que poderá disputar a reeleição, terá o desafio de convencer o eleitor nos próximos dois anos da sua capacidade de melhorar a vida dos moradores da cidade.

Levantamento OVALE/Band Mais/Sampi/Ágili Pesquisas divulgado em outubro de 2022 mostrou a administração de Dário Saadi considerada ótima ou boa por 21,23% do eleitorado e ruim ou péssima por 39,08%.

Após enfrentar o pico da pandemia, Dário sabe que terá que focar os dois anos de mandato em mostrar projetos, obras e melhorias para a população. Ele disse que espera entregar a cidade melhor do que pegou, com “mais crianças nas creches, melhor atendimento na saúde, com mais emprego e renda, com qualidade de vida melhor”.

FELÍCIO

Para os próximos dois anos, o prefeito de São José dos Campos, Anderson Farias (PSD), espera contar com grandes parcerias com o governo estadual, principalmente por estar lá o ex-prefeito da cidade e vice-governador Felicio Ramuth (PSD).

“Expectativa é positiva. Tarcísio e Felicio são dois grandes gestores públicos. Felicio ficou sem secretaria para aumentar essa comunicação com as prefeituras”.

PANDEMIA

O prefeito de Campinas e médico, Dário Saadi (Republicanos), colocou o enfrentamento da pandemia do coronavírus como o maior feito de sua gestão de dois anos.

“A ação mais importante que fizemos foi o enfrentamento da pandemia, que levou mais da metade do período de governo. Tivemos um enfrentamento muito difícil, mas também com sucesso. O atendimento à pandemia marcou a primeira parte desse governo”. A segunda, disse ele, será com obras e investimentos.