11 de julho de 2026
LUTO

No Brasil em 2007, papa Bento 16 canonizou Frei Galvão e visitou Aparecida e Guará

Por Xandu Alves | São José dois Campos
| Tempo de leitura: 4 min
Divulgação
Papa bento 16 durante celebração no Santuário Nacional de Aparecida

Morto neste sábado (31) aos 95 anos, o papa emérito Bento 16 esteve no Brasil em maio de 2007 para canonizar São Frei Galvão, o primeiro santo nascido no Brasil – em Guaratinguetá – e para participar da 5ª Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, no Santuário Nacional de Aparecida. Ele também visitou a Fazenda da Esperança, em Guaratinguetá.

Na época, o papa Bento 16 se encontrou com o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com jovens católicos e com representantes de outras religiões. Ele também conversou com dependentes químicos.

Nascido Joseph Aloisius Ratzinger na Alemanha, em 16 de abril de 1927, Bento 16 esteve no comando do Vaticano de 19 de abril de 2005 a 28 de fevereiro de 2013, quando oficializou sua abdicação. Escolhido como sucessor do papa João Paulo 2º, após a morte do mais longevo líder católico, Bento 16 tornou-se o 265º papa da história da Igreja Católica.

A única visita de Bento 16 ao Brasil, de 9 a 13 de maio de 2007, deixou um saldo positivo entre os brasileiros e marcante para a Igreja Católica no mundo.

VISITA

O primeiro compromisso foi na cidade de São Paulo. Acompanhado por cerca de 10 mil pessoas, Bento 16 foi recebido no Mosteiro de São Paulo, no centro da capital paulista. Ele também participou da oração da Liturgia das Horas na Catedral da Sé.

No dia 11 de maio, no Aeroporto do Campo de Marte, Bento 16 celebrou a missa de canonização do franciscano Antônio de Sant’Ana Galvão, o Frei Galvão (1739-1822),  para um público de 1,2 milhão de fiéis.

Diante dos fiéis, o papa iniciou sua homilia agradecendo a Deus pela canonização do santo brasileiro e pela presença de tantos devotos: “Tenham certeza: o papa vos ama, e vos ama porque Jesus Cristo vos ama”.

“Sinto-me muito feliz porque a elevação do Frei Galvão aos altares ficará para sempre emoldurada na liturgia que hoje a Igreja nos oferece. Saúdo com afeto, a toda comunidade franciscana e, de modo especial, as monjas concepcionistas que, do Mosteiro da Luz, da capital paulista, irradiam a espiritualidade e o carisma do primeiro brasileiro elevado à glória dos altares”, disse Bento 16 na celebração, para logo depois narrar as virtudes que elevaram Frei Galvão à honra dos altares.

No sábado, dia 12, Bento 16 começou sua passagem pelo Vale do Paraíba, região da capital da fé católica no país. Primeiro, o papa visitou as irmãs clarrisas da Fazenda Esperança, em Guaratinguetá, um centro de tratamento para dependentes químicos, e fez novo discurso. No mesmo dia, encontrou-se com religiosos no Santuário Nacional de Aparecida, e fez outro pronunciamento.

No domingo, dia 13 de maio, Bento 16 fez seu último dia de visita ao Brasil. Coube a ele a homilia da missa de abertura da 5ª Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe e o discurso inaugural dos trabalhos. À noite, ele realizou um último pronunciamento na despedida, já no aeroporto em Guarulhos.

PAPA FRANCISCO

A 5ª Conferência marcou a consolidação do nome do cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio dentro da Igreja, que depois sucederia Bento 16 assumindo o nome de papa Francisco. O texto final da conferência, conhecido como ‘Documento de Aparecida’, foi coordenado por Bergoglio.

"O convite para que Bento 16 visitasse o Brasil foi feito pelo cardeal dom Claudio Hummes, então arcebispo de São Paulo, no fim de 2005", contou o padre Michelino Roberto, da Arquidiocese de São Paulo, à BBC Brasil. "Na ocasião eu estudava e residia em Roma e acompanhei o cardeal Hummes na audiência em que o convite foi formalizado”.

Segundo o sacerdote, Bento 16 veio ao Brasil principalmente por causa da conferência em Aparecida, na qual o então cardeal Bergoglio teve um papel marcante na moderação das discussões. “Isso mostra como na Igreja nada acontece por acaso, nada acontece de repente”.

 “A Conferência de Aparecida e o Documento de Aparecida têm uma força espiritual e missionária. No documento, nós encontramos um programa de sinodalidade da mais alta qualidade, da mais alta pertinência”, afirmou dom Walmor Azevedo, arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

Em setembro de 2016, o papa Bento 16 foi homenageado com uma estátua no Museu de Cera de Nossa Senhora Aparecida, instalado dentro do Santuário Nacional.

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