Após 58 dias e faltando apenas três dias para a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Brasília, centenas de manifestantes contrários ao resultado do segundo turno das eleições presidenciais permanecem acampados em frente a quartéis ao redor do Brasil. Na RMVale, cidades como São José dos Campos, Taubaté e Pindamonhangaba registram ainda relevante movimentação em frente às áreas militares.
O discurso, no entanto, é o mesmo em todas as aglomerações bolsonaristas. Questionamento ao resultado do pleito presidencial, acusações de fraude nas urnas eletrônicas, pedidos de ‘intervenção federal’ às Forças Armadas e a prisão do ministro do STF (Superior Tribunal Federal) e presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Alexandre de Moraes.
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A mais ampla e organizada das vigílias bolsonaristas acontece em São José dos Campos, em frente ao DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeronáutica). Lá, os manifestantes se aglutinam e empunham faixas com mensagens inconstitucionais, cantam o hino nacional de forma periódica, dormem em barracas e até comem três vezes por dia em uma espécie de cozinha comunitária montada em um gramado da rotatória do DCTA. Segundo alguns dos manifestantes que toparam conceder entrevista, a comida é distribuída de forma gratuita e chega por meio de “amigos empresários”.
“Aqui não tem líder. Estamos todos unidos em prol de um bem comum. Queremos livrar o nosso país de algo ruim. A comida é distribuída de forma gratuita. Até alguns moradores de rua, quando passam por aqui, recebem a alimentação. Alguns empresários ajudam com os condimentos”, disse.
Já em Taubaté, a segunda maior cidade da região, a movimentação ocorre em vias próximas ao Cavex (Comando de Aviação do Exército). Nos primeiros dias, ainda no início de novembro, o número prejudicava até mesmo o andamento do trânsito na localidade. Os apoiadores de Jair Bolsonaro, sempre vestidos com camisas verde amarela e da Seleção Brasileira, entoavam o hino nacional, além de cânticos nacionalistas.
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O número de presentes caiu com o tempo, mas permanece atualmente com uma minoria de ‘resilientes bolsonaristas’. Os protestantes, assim como em outras cidades da região, também mantêm narrativa do artigo 142 da Constituição Federal – que cita as Forças Armadas, mas não uma possível intervenção em um resultado eleitoral.
Mas nem só de protestos vive as manifestações bolsonaristas. Em Pindamonhangaba, um casal apoiador do atual presidente o descrente da segurança das eleições presidenciais, aproveitou o período em frente ao Batalhão Borba Gato para selar união. Chamado de ‘casamento patriota’, a celebração contou com padrinhos, manifestantes nas proximidades e até mesmo um padre. “Ato de coragem, de amor à pátria e profético”, disse o sacerdote na ocasião.