11 de julho de 2026
DEMOCRACIA

Após picos da pandemia, Capital da Fé sai fortalecida com defesa da democracia

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação
Arcebispo dom Orlando Brandes em celebração no Santuário Nacional

A fé venceu.

Capital da fé cristã no país, o Vale do Paraíba sai fortalecido após período de ataques e de desinformação que miraram especialmente o Santuário Nacional de Aparecida, principal estrutura da Igreja Católica no Brasil.

A Basílica Nacional tornou-se refúgio de defesa da democracia e de enfrentamento ao autoritarismo, ódio e ao obscurantismo ao longo do governo do presidente Jair Bolsonaro (PL), derrotado nas urnas.

Leia mais: ‘Temos o dragão do ódio e o da mentira, que não é de Deus’, diz arcebispo de Aparecida

Após a eleição mais conturbada desde a redemocratização e o período mais grave da pandemia do coronavírus, a Capital da Fé vê retornar o movimento de peregrinos aos principais pontos de devoção, o que deve aumentar em 2023, e se fortalece como representação política na esfera religiosa, principalmente a Basílica.

Maior templo mariano do mundo, o Santuário Nacional deu força às palavras dos pastores de Aparecida, que se transformaram em bastiões da democracia e combatentes da desigualdade. Suas armas, as palavras, frutificaram.

“Temos que nos unir uns aos outros e saber conviver em paz porque não é armando a população que vamos construir um Brasil com mais fraternidade e solidariedade, pelo contrário”, disse o cardeal dom Raymundo Damasceno Assis, arcebispo emérito de Aparecida.

Leia mais: Santuário Nacional torna-se bastião de defesa da democracia e de crítica ao autoritarismo

Também o atual arcebispo, dom Orlando Brandes, tem sido uma das principais vozes a defender a democracia, tendo virado alvo de bolsonaristas desde 2019 por seus sermões na Basílica. No ano passado, ele virou alvo de extremistas ao dizer que a “pátria para ser amada, não pode ser pátria armada” no sermão da festa de Nossa Senhora Aparecida.

Neste ano, Brandes pregou contra o “dragão da mentira, do ódio, do desemprego, da fome e da incredulidade”.

“Quando dom Orlando fala essas coisas, tem um aspecto de sabedoria e de dizer para as alas mais radicais, em todos os lados, que não é bem assim. A Igreja é um ‘grilo falante’ que está olhando. Eu gosto da postura de dom Orlando”, disse Edin Sued Abumanssur, doutor em Ciências Sociais, professor e coordenador do Programa de Estudos Pós Graduados em Ciência da Religião da PUC-SP.