08 de julho de 2026
EDITORIAL

A democracia resiste

Por |
| Tempo de leitura: 2 min

A democracia brasileira foi exposta na última semana a momentos antagônicos.

Já na segunda-feira, data em que ocorreu a diplomação do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva como o vencedor das eleições, bolsonaristas extremistas tentaram roubar a cena e promoveram momentos de tensão em Brasília, a capital do país. Em atos terroristas, que eclodiram após a prisão de um ativista acusado de promover atos antidemocráticos, eles tentaram invadir a sede da Polícia Federal, atearam fogo em ônibus e depredaram carros.

Os vândalos que praticaram esses atos estavam acampados há mais de um mês em frente ao Quartel-General do Exército, em uma mobilização golpista que contesta o resultado da eleição. E, apesar de toda a baderna promovida na noite de segunda, ninguém foi preso pelas forças de segurança.

Embora tenha sido promovido por um grupo diminuto, esse primeiro episódio gerou o temor de que possamos sofrer com um Capitólio à brasileira, ainda mais diante da aparente leniência de quem deveria conter e punir os envolvidos.

No entanto, para aqueles que apostam na impunidade enquanto atacam a democracia, os dias seguintes não trouxeram boas notícias - aliás, só para eles as notícias não foram boas. Na quarta-feira, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) abriu duas investigações contra o ainda presidente Jair Bolsonaro e aliados, que podem levar à inelegibilidade dos citados. Uma delas justamente pelo golpismo de questionar o resultado das eleições. A outra pela tentativa de conquistar votos turbinando benefícios durante a campanha.

Na quinta-feira, uma operação da Polícia Federal, autorizada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), cumpriu 103 mandados de busca e apreensão contra bolsonaristas suspeitos de organizar atos antidemocráticos. A ação foi feita em oito estados e também no Distrito Federal. Entre os crimes apurados estão abolição violenta do Estado democrático de Direito, crime contra a honra, incitação ao crime e tentativa de golpe de Estado.

Se o início da semana trouxe pessimismo, os dias seguintes serviram para renovar a confiança dos brasileiros nas instituições. O recado, firme e correto, foi dado: quem atenta contra a democracia no país não sairá impune. Quem deseja o bem do Brasil, concorda.