11 de julho de 2026
VIOLÊNCIA

Cidades do Vale têm taxa de homicídio entre as 20 capitais mais violentas do país

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 4 min
Divulgação
Viaturas da Polícia Militar

O número de mortes violentas no Vale do Paraíba, região com mais vítimas de assassinato no interior de São Paulo, fez com que cinco cidades do Vale tivessem taxa de homicídios por 100 mil habitantes entre as 20 capitais mais violentas do país.

O levantamento foi feito com dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, para as 27 capitais, e com números oficiais da SSP (Secretaria de Estado de Segurança Pública), para os municípios da região.

Ambos os levantamentos consideram o número de vítimas em homicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes cometidas pela polícia no ano de 2021.

Entre as cidades mais pacatas da região até 2016, Cruzeiro se tornou um problema para a segurança pública nos últimos anos e atualmente tem a mais alta taxa de homicídio do Vale, com 50,67, o que a coloca na quarta posição da lista das capitais mais violentas do país.

Cruzeiro está atrás de Macapá (taxa de 63,2), Salvador (55,6) e Manaus (52,5), as capitais com os maiores índices de violência do Brasil, segundo o ranking do Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Para se ter ideia da gravidade dos números, a cidade de São Paulo é a menos violenta entre as capitais do país, com taxa de homicídio de 7,7, quase sete vezes menor do que a de Cruzeiro.

Se fosse uma capital, Caraguatatuba seria a 13ª com a maior taxa de homicídio do país, com 24,24, atrás de capitais como Teresina (37), Fortaleza (34,3) e Recife (33,1), mas superando Natal (24), Belém (22,3) e Porto Alegre (20).

Na 21ª posição da lista aparece Pindamonhangaba (taxa de 19,82), depois a cidade do Rio de Janeiro (19,2) e outras duas do Vale, Lorena (17,87) e Taubaté (17). Ambas superam Curitiba (16,7), que fecha o ‘top 20’ das capitais mais violentas do Brasil.

A RMVale ainda tem quatro cidades com taxa de homicídio acima de 10, segundo os dados de 2021, valor considerado “zona epidêmica para a violência” pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

Ubatuba tem 16,16 vítimas de crimes violentos por 100 mil habitantes, Guaratinguetá tem 14,87, Caçapava 13,58 e Jacareí, 10,78. São Sebastião está fora da “zona epidêmica” com taxa de 9,82 e São José dos Campos tem a mais baixa da região, com 7,14, abaixo de todas as 27 capitais do país.

COMPARAÇÃO

Levando em consideração apenas a taxa de vítimas de homicídio por 100 mil habitantes, com dados da SSP, seis cidades da RMVale pioraram o indicador em 2022 na comparação com 2021, o que revela o tamanho do desafio do novo governo estadual para reduzir a violência na região.

Caçapava aumentou seu índice em 99%, passando de 13,58 para 27,15, seguida de Lorena (+87%), Ubatuba (+71%), São Sebastião (+33%), Guaratinguetá (+11,7%) e Caraguatatuba (+10,3%).

As demais cidades reduziram a taxa entre os dois anos: São José dos Campos (-0,05%), Pindamonhangaba (-3,23%), Cruzeiro (-9,53%),Taubaté (-20,80%) e Jacareí (-39,11%).

No geral, a RMVale tem 14,43 vítimas de homicídio para cada grupo de 100 mil habitantes, de acordo com os dados da SSP. O número considera os homicídios nos últimos 12 meses, de novembro de 2021 a outubro de 2022.

O índice do Vale é 206% maior do que o da capital (4,71), 120% acima da média estadual (6,56) e 118% maior do que a da Grande São Paulo (6,62). Supera também a taxa do interior (7,46), a de Campinas (6,25) e a da Baixada Santista (8,13), também uma região turística como a RMVale.

OUTRO LADO

Por meio de nota, a SSP (Secretaria de Estado da Segurança Pública) informou que vem atuando para reduzir os homicídios dolosos em todo o estado, inclusive no Vale do Paraíba e Litoral Norte. “No primeiro semestre deste ano, 14 cidades da região não registraram nenhuma morte intencional. O índice de esclarecimento deste indicador criminal na região de São José dos Campos é de 85%”, informou a pasta.

“O trabalho policial no Deinter 1 permitiu que a região apresentasse queda nos casos de homicídios dolosos em comparação com o mesmo período de 2019 (último antes da pandemia). Ao todo, 103 pessoas envolvidas no crime foram presas na região.”

A SSP acrescentou que as forças de segurança têm reforçado os programas de policiamento em toda a área do Vale. “Desde 2019 foram entregues para região mais de 500 viaturas para todas as polícias, investimento de R$ 58,3 milhões. Além disso, nos sete meses deste ano foram retiradas das ruas 532 armas, 4.789 pessoas foram presas e 12.554 inquéritos instaurados.”