O CLA (Centro de Lançamento de Alcântara) no Maranhão vai fazer neste mês de dezembro o primeiro lançamento de um foguete de uma empresa privada. Operado pela FAB (Força Aérea Brasileira), o CLA vai lançar o foguete da Innospace, startup espacial da Coreia do Sul, que desembarcou no Aeroporto Internacional de São Luís, no Maranhão, transportado por um avião Boeing 747 cargueiro neste sábado (3).
A startup sul-coreana produz pequenos veículos lançadores e assinou, em setembro deste ano, um acordo com o DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial), em São José dos Campos, para lançar o Sisnav, um projeto de sistema de navegação inercial apoiados pela Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) do governo brasileiro e a AEB (Agência Espacial Brasileira).
O projeto será lançado neste mês de dezembro por meio do Hanbit, um pequeno lançador de satélites movido por motores de foguete híbridos. Será o primeiro voo de teste suborbital para validar o motor de primeiro estágio do Hanbit-Nano, que é um pequeno lançador de satélites de dois estágios, capaz de transportar uma carga útil de 50 quilos. O foguete vai viajar até o espaço e cair logo em seguida, sem entrar em órbita.
O Hanbit-TLV é um foguete híbrido de estágio único de 15 toneladas, com altura de 16,3 metros, diâmetro de 1 metro e peso de 9,2 toneladas.
Com este acordo, a Innospace espera poder verificar a capacidade de desempenho do veículo lançador e obter reconhecimento no setor aeroespacial, lançando a carga útil em um voo de teste.
O Hanbit-TLV levará a bordo a carga Sisnav, um sistema de navegação inercial que está sendo desenvolvido pelo DCTA e outras instituições. Eles verificarão se o Sisnav opera bem em ambientes específicos como vibração, choque e alta temperatura, que ocorrem em todo o processo desde a decolagem e durante o voo transatmosférico.
“Este acordo é significativo porque a Innospace e o DCTA estão comprometidos com o desenvolvimento técnico e operacional mútuo e com a parceria contínua. Esperamos que a Innospace entre no mercado de serviços de lançamento de pequenos satélites com o primeiro teste de lançamento bem-sucedido do Hanbit-TLV”, disse Soo Jong Kim, CEO da Innospace.
Além da Innospace, é esperado que a canadense C6 Launch Systems também realize um lançamento a partir do espaçoporto brasileiro, em 2023. A Virgin Orbit, do bilionário Richard Branson, também recebeu aval do governo brasileiro para usar a pista de 2,6 quilômetros de Alcântara para o seu Boeing 747 adaptado — com capacidade para lançar foguetes a partir de suas asas.
TRAGÉDIA
O centro de lançamento de Alcântara, no Maranhão, foi palco da maior tragédia do Programa Espacial Brasileiro. Em 22 de agosto de 2003, o foguete brasileiro VLS-1 explodiu na base e matou 21 técnicos e engenheiros de São José dos Campos.
O acidente ocorreu três dias antes do lançamento, que colocaria em órbita dois pequenos satélites para aplicações científicas: o Satec (Satélite Tecnológico), desenvolvido pelo Inpe, e o Unosat, da Universidade Norte do Paraná.
O VLS (Veículo Lançador de Satélites) foi o resultado de 18 anos de pesquisa e desenvolvimento, em um momento que a engenharia espacial brasileira estava em plena evolução.