11 de julho de 2026
FUTURO

Contra ascensão de novas lideranças, Bolsonaro encara desafio de se manter no holofote

Por Da Redação | Brasília
| Tempo de leitura: 2 min
Clauber Cleber Caetano/PR
Jair Bolsonaro em cerimônia realizada no fim de novembro

No futuro próximo do ainda presidente Jair Bolsonaro (PL), só uma coisa é certa: dinheiro não vai faltar. Já contando a aposentadoria que terá pelo tempo como deputado federal, que foi concedida no fim de novembro pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), o em breve ex-presidente deverá receber em torno de R$ 81 mil por mês a partir de janeiro de 2023. O cálculo soma R$ 30 mil da aposentadoria parlamentar, R$ 11,9 mil por ser capitão reformado do Exército e R$ 39 mil que receberá do PL. É mais do que os R$ 42,8 mil que recebe hoje - R$ 30,9 mil como presidente da República e R$ 11,9 mil pela aposentadoria militar.

Se essa bolada representa uma preocupação a menos, é outro número, ainda mais superlativo, que causa apreensão entre os aliados do presidente: 58 milhões. Essa foi a quantidade de votos que Bolsonaro teve no segundo turno. Um capital político que poderia catapultar o presidente ao posto de líder da oposição durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Mas que, por simples falta de reação e de articulação por parte de Bolsonaro, dá sinais de que pode escapar por entre os dedos.

Desde que perdeu a eleição, Bolsonaro ostenta uma agenda praticamente vazia de compromissos oficiais e de expediente no Palácio do Planalto. Nada de lives, motociatas ou conversas com simpatizantes. Um exemplo dessa apatia foi registrado no dia 26 de novembro, na formatura da Aman (Academia Militar das Agulhas Negras). O vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos) tentou incentivar o presidente a conversar com apoiadores que acompanhavam o evento. Sem sucesso. Conversas, apenas com aliados mais próximos. E a portas fechadas.

O maior receio no entorno de Bolsonaro é de que essa apatia crie um vácuo de poder. Afinal, nem todos os 58 milhões de eleitores que votaram nele podem ser considerados bolsonaristas convictos. Alguns eram da terceira via. Outra grande parcela queria apenas evitar a volta de Lula ao poder.

E caso esse vácuo seja criado, não faltarão nomes para disputar o espólio do futuro ex-presidente. Quatro deles, aliás, terão a partir de 2023 algo que Bolsonaro não disporá: um mandato. São os casos dos governadores Tarcísio de Freitas (São Paulo), Romeu Zema (Novo), Ratinho Júnior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul). A essa lista ainda pode se somar o senador eleito Sérgio Moro.

FORO.
Outra preocupação para Bolsonaro é que, como ficará sem mandato pela primeira vez desde 1989, o futuro ex-presidente também ficará sem foro privilegiado. No STF (Supremo Tribunal Federal), Bolsonaro é hoje alvo de quatro inquéritos que investigam supostos crimes que teriam sido cometidos enquanto presidente. Há, ainda, duas ações penais por incitação ao estupro e injúria.